sexta-feira, 13 de abril de 2007

Será que a Microsoft se beneficia com a pirataria de seus produtos?


Todos nós sabemos que mesmo quando não provoca prejuízos diretos, a pratica da “pirataria” ao menos deixa de dar lucro as empresas. É um raciocínio bem obvio de se fazer. O que talvez nunca se imaginou (até agora) é que as vezes ela sirva pra dar lucro...
A principio minha ultima frase acima parece absurda ( e talvez seja), mas quando acabar de ler esse texto talvez você não a ache tão absurda assim... para isso, vou guiar vocês no tortuoso caminho que me fez chegar a conclusão de que a Microsoft provavelmente lucra com a pirataria de seus produtos...

Não sei precisar exatamente o momento exato do meu “insight”, mas ele tem relação direta com as propagandas recentemente veiculadas em revistas (não sei todas as revistas em que apareceram, mas me lembro de “Veja” e “Super Interessante”). Em tais propagandas, apareciam varias empresas (“Sucos del Valle”, por exemplo) que trocaram seu sistema operacional Linux por Windows. O argumento usado na propaganda é o de “confiabilidade” e outras tonteiras do tipo.
Agora vamos pesar alguns fatores: os produtos Microsoft são um dos mais pirateados do mundo, e com certeza os mais pirateados da área de informática. Não possuo dados (quem puder me passar, agradeço) mas creio que deva existir no mínimo o triplo de Windows piratas a cada original. O mesmo vale para seus outros produtos, como a plataforma Office.
O Windows se tornou quase sinônimo de sistema operacional, a ponto de muita gente ignorar que existem outros. Pra maioria do “povão” (aqui incluo ricos e pobres) computador só é computador com Windows. É aqui que notamos um efeito colateral da pirataria entre usuários domésticos: ela transforma a Microsoft em um padrão quase universal!!
Agora imagine o seguinte quadro: você é dono de uma Mega-Empresa de “sabe-lá-o-quê”, e como quer gastar menos, resolve implantar o Linux (ou outro sistema) como padrão dos seus PC’s. Você pensa que está fazendo um ótimo negócio, afinal, os produtos Microsoft são caríssimos de se adquirir e manter. Beleza... só que começam a surgir outros problemas: 1 - a maioria dos seus empregados nunca viu aquilo na vida dele, e não sabem como lidar (Você provavelmente vai ter que dar treinamento a eles, e isso –obvio – vai custar tempo e dinheiro); 2 – A inexperiência dos funcionários com o novo sistema acabará causando muitos equívocos e atrasos, diminuindo a produtividade da empresa (por melhor que tenha sido o treinamento que receberam, não se esqueça de que eles estão acostumados com Windows, e estar acostumado com algo é sempre mais forte do que ser treinado em algo); 3 – A facilidade “plug&play” do Windows acostumou mal eles, que reclamam a toda hora da falta de praticidade do novo sistema operacional; 4 – a falta de experiência no novo sistema acaba provocando “cagadas” que forçam a constante presença de manutenção técnica; 5 – não consegui pensar em mais nada, mas provavelmente existem mais coisas (aceito sugestões) :P
Observe também o seguinte aspecto: como o Windows é utilizado pela maioria absoluta de usuários de PC’s, as empresas que desenvolvem softwares diversos (gráficos, administrativos, etc) costumam dar prioridade a plataforma Windows!! Assim, muitas vezes pelo simples fato de que uma empresa precisa de Windows pra rodar programas essenciais para seu bom funcionamento, ela se vê forçada a adota-lo como plataforma padrão.
Partindo do mesmo raciocínio do parágrafo anterior, imagine o seguinte quadro: você tem uma empresa de software. Como todos bem sabem, toda empresa busca lucrar o máximo possível. Assim sendo, seus investimentos serão destinados na produção de softwares que atendam a maioria dos usuários... e como a maioria absoluta usa Windows, você provavelmente vai investir na criação de produtos para esses usuarios... E bingo!!! Você alimenta indiretamente o “circulo”!!
Agora vamos analisar outra coisa interessante: Geralmente quem usa um produto pirata nunca iria adquirir um original. São pessoas ou “sem dinheiro” ou "sem interesse" em ter um original. Se algo dificultasse muito a compra de produtos piratas, essas pessoas continuariam sem dar lucro a ninguém, pois provavelmente não comprariam os originais. Assim, o combate a pirataria entre usuarios domésticos ia gerar mais ônus do que bônus, sendo bem pouco compensatório para a Microsoft. Nota: não conta aqui a famosa estrelinha do XP, que enche o saco, mas é bem pouco efetiva no combate a pirataria.
Assim sendo, o lucro que a Microsoft deixa de obter com os usuários piratas, é compensado pelo fato da pirataria transformar a plataforma em padrão (doméstico e empresarial)!! E o fato de ser “padrão” anula as tentativas de qualquer outro desenvolvedor se estabelecer no mercado. O fato de ser “padrão” faz com que a maioria (mesmo sem querer) tenha que se submeter ao “monopólio” da Microsoft. Em suma, o fato de ser padrão mantém a Microsoft no topo! E a conclusão obvia que se tira disso, é que possivelmente, ao invez de dar "prejú", a pirataria só ajuda o monopolio do "Tio Bill" a se manter quase absoluto...

E assim, por linhas tortas - mas bem escritas - a Microsoft mantém sua “linda” hegemonia no mundo dos softwares. E, ao que tudo indica, vai continuar sendo assim por um bom tempo...

PS1: Isso não é uma “teoria da conspiração”. Não to dizendo que a Microsoft propositalmente incentiva a pirataria de seus produtos. Estou apenas apontando um provável efeito colateral benéfico à empresa.

PS2: Também não to afirmando uma verdade absoluta. Isso é apenas uma especulação. Mas quem quiser contribuir com dados pra torná-la mais cientifica, será bem vindo.

PS3: digitei isso no Word... Pode ser coincidencia, mas ele me mandava escrever "Microsoft" e "Windows" em maiúsculo e me dizia que "Linux" não existia como palavra :P

2 comentários:

Thiago disse...

huuh ta ficando legal teu blog.. queria discutir contigo esse artigo via msn... entra la :P
abs

Paladino disse...

Interessante, eu mesmo não conheço outro sistema operacional além do Windows que não seja o Linux,,,