terça-feira, 25 de março de 2008

Post especial de páscoa nº1: malditos coelhos capitalistas!!

"acredite, essa imagem representa bem esse artigo :-P"


Ahhh... a páscoa... originalmente um feriado religioso judaico (comemorava a fuga do Egito), foi transformado posteriormente em feriado religioso cristão. Hoje em dia ninguém liga muito pro lado cristão da coisa (e muito menos pro lado judaico :P), e o feriado se tornou mais um dia do ano pra gastar dinheiro com porcaria e agüentar priminhos chatos...

“Má perae porra? Como foi que apareceu um coelho nessa historia? Porque essa merda de feriado religioso acabou se tornando mais um feriado “capitalista”? capitalismo!!! Caralho então você vai falar do velhinho barbudo (não Papai Noel, mas Marx)?? Arrggghhhhh!! To ficando zonzo...”

Palma, palma amiguinhos... não entrem em cânico...vocês vão descobrir isso e muito mais no nosso (sim, tenho múltiplas personalidades :-P)... tham tham tharammmm... post especial de páscoa (nº1)!!!

Sobre coelhos, ovos e chocolates (nham, nham)

Tô com pressa, então vou explicar rápido e rasteiro: tanto a páscoa judaica quanto a cristã simbolizavam principalmente a esperança de uma vida nova. E quer melhor símbolo de vida nova do que algo que representa fertilidade?? Você deve saber que os coelhos são notórios fornicadores e fazedores de filho; e também deve saber que ovos são apenas óvulos (fecundados ou não) recobertos com uma camada de cálcio. Assim sendo, tanto coelhos como huevos representam muito bem a esperança de uma vida nova...
Mas como as coisas se misturaram (coelho + ovo)?? Bem, sei lá eu :P... imagino que ambas as tradições tenham corrido em paralelo por muitos séculos, até se misturarem completamente no decorrer do século XIX ou XX...
Má onde entra o chocolate? Bem, era um costume presentear os amigos e crianças na páscoa com ovos (de galinha mesmo) decorados e “enviadados”. No começo do séc. XIX, algum capitalista safado e esperto achou que era boa idéia fazer ovos de chocolate pros outros darem de presente na páscoa... e a coisa foi evoluindo até se tornar essa putária que é hoje...
É, é só isso (Falei que ia ser rápido e rasteiro, não adianta reclamar). Agora vamos falar de “capetalismo”!!


A maldição intelectualóide

Vou contar pra vocês qual o principal defeito dos marxistas (não, não é falta de banho): eles odeiam ser claros!! Sim, eles parecem adorar a “linguagem empostada” (acabei de criar um neologismo – eba!!) e cheia de firúlas que não vão a lugar nenhum. Até mesmo Gramsci, que fala tanto em “intelectual orgânico” (um intelectual que age junto ao “povão”, e que pra isso, fala a “língua” do “povão”) escreve de um jeito pouco inteligível para o leitor médio (imagina para o abaixo da média?)...
De fato, é extremamente penoso para qualquer um ler um texto escrito por marxistas. Eu imagino que eles adquiriram esse hábito como forma de combater alguns preconceitos estabelecidos sobre eles (como o de terem pouca formação – e de não tomarem banho). Assim, eles passaram a se expressar de maneira “intelectualóide” pra passar a idéia de que estudaram bastante (NOTA: Lula não se enquadra nesse quadro. Aposto um mindinho que ele nem sabe o que é dialética, quem dirá mais-valia. Alem disso, quando ele fala algo ininteligível é porque falou errado mesmo XD)
Por outro lado, tal postura é bem antagônica em lideranças que almejam “mobilizar e libertar o povo da opressão capitalista”. Pro “povo" ter “consciência de classe” (essencial pra tomar algum tipo de atitude) ele precisaria entender um pouco mais da própria realidade – coisa que dificilmente conseguirá lendo textos escritos com linguagem de relatório jurídico :-P.
Mas afinal por que eu escrevi tudo isso?? Apesar de parecer, não é porque estou treinando pra quando trabalhar pra alguma revista e ganhar por palavra escrita... o motivo é o seguinte: embora tudo seja falível, errar sempre é uma merda (e ninguem gosta de errar)...
Eu tenho bem guardado na cabeça a explicação do meu professor da faculdade sobre o que é “fetiche” no termo marxista. Ao mesmo tempo, eu acho sempre bom dar uma relida em qualquer assunto antes de se falar sobre ele para outras pessoas. Aí que esta o problema: sou um ser que quase nunca copiou matéria na vida, e é obvio que não tenho o caderno com o resumo feito pelo meu professor :-P. Assim sendo, tive que recorrer à maldita internet pra suprir minha “revisão memorial” (segundo neologismo do dia - chupa Guimarães!!). E ai, como já era esperado, me deparei com um monte de textos que fazem a leitura de Ulisses parecer menos intragável. Como conseqüência, vocês vão ler um texto escrito baseado apenas nos meus nobres neurônios, que embora sejam muito confiáveis, são passiveis de erros.
Se você for um marxista visitando o blog, esteja a vontade para apontar correções (apenas escreva de modo que eu entenda – e tome um banho).

O fetiche dos Ovos (não é que você tá pensando, seu mente-poluída!!)

Em seu imenso tijolo chamado “O Capital”, marx estabelece a noção de “fetiche da mercadoria”. Para o “bom velhinho” da Ciências Sociais, todo produto (fruto do trabalho humano) apresenta dois valores: valor de uso e valor de troca.

O valor de uso remete a real utilidade do produto, seu fim utilitário especifico. Ex: o valor de uso de uma roupa é vestir alguém.

O valor de troca é mais complexo, pois envolve a carga simbólica do produto. Ex: as roupas foram feitas para vestir, mas o valor de troca de uma mesma calça muda completamente se em uma delas você colocar uma etiqueta da Armani.

Embora também esteja relacionado ao conceito marxista de ideologia, o fetiche está estreitamente ligado ao valor de troca de algum produto. Como o valor de troca se estabelece no campo do simbólico (e não do concreto), o valor ilusório atribuído a uma mercadoria é assim chamado de fetiche (palavra cuja origem lingüística se refere a “feitiço”, “artificial”).

Eu vejo alguns problemas no excesso de uso do conceito para criticar qualquer coisa no universo capitalista. Numa leitura darwinista, alguns fetiches mercadológicos tem o claro papel de símbolo de status. Todos os animais abusam de simbolismo de poder para se impor sobre outros ou se tornar mais atraente para o sexo oposto. Realmente, uma calça da armani vai ter a mesma utilidade pratica do que qualquer outra marca, mas ela serve também para dizer “eu posso, você não!! Nánánánáááá!!!”.

Assim sendo, acho que o conceito de fetiche não deve ser usado pra criticar qualquer coisa cujo valor de troca supere muito o valor de uso, já que as vezes este pode carregar um valor de uso implícito: ajudar a transar!!
Pra quem acha que isso não tem valor nenhum, só vou lembrar: você só esta lendo este texto agora porque seu pai comeu a sua mãe (arrá, sacanei!! Aposto que você não gosta de pensar nisso!! Bwahahahahha!! Mas a culpa não é minha se temos herança judaico-cristã e complexos freudianos... :-P). A pratica da reprodução é essencial em qualquer espécie bem sucedida, e humanos não são de forma alguma exceção...

É claro que o conceito de fetiche também se aplica no quadro acima (já que o que torna um jeans “de marca” mais importante que outros é apenas uma convenção humana). Mas eu acho que o termo sempre é melhor utilizado quando exemplifica uma relação onde o valor de troca aumenta muito o preço de um produto, mas geralmente oferece poucos resultados concretos. Exemplos? O valor de troca de um jeans é duradouro (Você vai poder utiliza-lo seguidas vezes). A mesma coisa um carro de luxo, uma jóia... esses exemplos não se enquadrariam muito no fetiche, já que de certa forma valem seu preço. Mas nem todos os produtos são assim...

“_então quais seriam eles, babaca?”

Os itens onde você paga mais pelo caráter simbólico, mas sua durabilidade é ínfima!! Esses sim são exemplos perfeitos de fetiche - e eles existem aos montes!! Mas meu exemplo preferido são os huevitos de páscoa...

O ovo de páscoa nada mais é do que uma quantidade especifica de chocolate embalado em papel bonito. Assim que você receber ele (ou presenteá-lo) ele deixará de ser um enfeite bonitinho para se tornar uma maçaroca disforme e mal embalada na geladeira. Assim como os embrulhos de presentes, o fim ultimo de toda a “viadagem” de um ovo de páscoa é ser trucidado sem piedade. E quanto a mais você paga pela embalagem bonitinha e formato redondo? Em geral, quatro vezes mais do que o valor normal do chocolate!! Sim, isso mesmo!!

Vamos aos exemplos concretos: minha cunhada comprou pra ela um ovo de páscoa “Sonho de valsa” de 500g pelo valor de 39 reais. Quantos sonhos de valsa ela poderia comprar com esse dinheiro? Bem, ela poderia comprar dois pacotes de 1kg de “sonho de valsa”!! sim, ela poderia ter gastado quatro vezes menos - ou comido quatro vezes mais!!

Outro exemplo: veja AQUI a disparidade entre um ovo de páscoa chokito e um pacote de tabletes chokito. Pelo valor aproximado que você compra 240g de ovo de páscoa você poderia ter comprado 960g de chocolate em tablete!

E os ovos que vem com brinquedos? Geralmente o que vem neles é uma porcaria mal feita que logo estará entupindo o bueiro da sua casa. Mas mesmo assim é o novo achado das empresas que querem esfolar pais incautos.
Vamos buscar alguns exemplos? o ovo de páscoa do Bátima vem com uma capa xexelenta de brinde e 180g de chocolate ao leite (custa 30 merréis). com a mesma grana dá pra você gastar R$19,90 em um boneco articulado e comprar duas barras de chocolate branco (que juntas, contam 320 gramas!!). ou ainda, comprar um kit de luvas e máscara do batman por R$24,90 e mais uma barra de 160g (o resto da grana você embolsa :-P).
Alem disso, a maioria dos brindes que vem dentro desses ovos são encontrados (em versão melhor e mais barata) em qualquer camelô!!

Por isso que o ovo de páscoa é o melhor exemplo para “fetiche da mercadoria”!!ovo de páscoa tem seu valor no uso (comer) + valor simbólico (ser bonitinho), mas você vai pagar quatro vezes mais que o valor de uso apenas pelo caráter simbólico (que acaba assim que se abre a embalagem – geralmente menos de cinco minutos depois de entregue).

Então, apenas pra fixar bem a lição de hoje: fetiche no conceito marxista é o valor ilusório atribuído a um produto, fazendo com que você (trouxa proletário) pague mais por algo que vale menos (assim garantindo uma gorda mais-valia pro burguês).

Pronto!! Viu como não era difícil o troço? Tá certo que o artigo seria de melhor utilidade se eu tivesse escrito ele antes da páscoa, mas quem liga para esses detalhes?? O que importa é que você aprendeu finalmente a lição: na próxima páscoa, vê se não compra gato por lebre!! O_o


PS1: se quiser saber mais sobre a páscoa visite esse site AQUI.

PS2: Quanto ao linguajar marxista, uma parte maldosa de mim também especula que isso ocorra também porque eles não querem ser efetivamente entendidos (diga um monte de palavras complicadas pra alguém e a pessoa provavelmente concordará – com medo de ser considerada burra). Mágica só tem graça se você não conhece o truque, e quase tudo perde o brilho quando é desvendado em profundidade... Nesse contexto, eles pareceriam bastante com a “direita” que visam combater, usando “alienação” para combater “alienação” (cujo resultado costuma dar em merda ).

PS3: todos os marxistas que eu conheço tomam banho (pelo menos aparentemente).

PS4: não percam o segundo post especial de páscoa (ainda essa semana)!!

7 comentários:

Ananda disse...

Oba!

Estava ansiosa por um novo post!

Dei boas risadas com teu peculiar "senso de humor".

E realmente, Páscoa serve mesmo é para lucro comercial.

Se for pelo ovo de chocolate, compensa mais fazer em casa.

Parabéns pelo post!

rodrigo_galhano disse...

Queria ter tido um professor de geografia nerd!

Vou guardar esse texto para quando (e se) eu tiver filhos. Se eles perguntarem por que não dei ovos de páscoa mostro esse texto pra eles!

Aliás, vou mostrar esse texto pra minha namorada e ver se economizo uma grana ano que vem...

rodrigo_galhano disse...

Já ia esquecendo, esse BWAHAHA que você usa é o do inesquecível e injustamente assassinado Besouro Azul Ted Kord, certo?

Divulguei essa postagem pra minha lista de emails!

Chuta que é Macumba! disse...

Não só o Ted Kord mas também o melhor de todos Lanternas Verdes, Guy Gardner!

Fred Bruno disse...

Sou Nerd e marxista (é essas coisas existem) e devo dizer que apesar de não ser beeeem isso que vc falou a respeito de fetiche, sem dúvida nenhuma seu texto mostra por que não comprar ovos de pascoa. pena que minha esposa não concorde...

PS: Tomo Banho de duas a três vezes por dia. Mas não faço a barba a cinco anos.

Alvaro Trigo fernandes. disse...

Valeu pelo comment fred!

voce não é o primeiro marxista nerd que conheço, o pai de uma das minhas colegas de facul (que tambem era prof) era bem nerd (e apesar de ser daqueles bem tradicionais, que acresditam que o dirceu era inocente e tudo era ideologia dominante, era um cara muito gente fina). o genro desse mesmo cara é nerd e fez sua mono sobre HQ's (pena que ele usou adorno - eca).

sobre o fetiche, eu pensei em falar mais (que serve para mascarar os processos de produção envolvidos, assim eliminando o carater humano do trabalho - que por sua vez cria a ilusão de uma sociedade justa - o que não é verdade); mas eu achei que ia embolar demais o meio de campo para o leitor médio...

de toda forma, tou com a ideia de criar um pequeno resumo das ideias centrais de marx, topa me auxiliar na tarefa?

sobre os banhos nos marxistas, na verdade acho que "caguei uma regra" :-P. eu usei o senso comum do povão em associar marxistas com hipies, que por sua vez tem a fama de não tomarem banho (o que tambem é mito na maioria dos casos). fora o fato que ser barbudo é ser associado a ser sujo (maldito higienismo do sec XIX!!).

Quanto ao ovo de pascoa pra tua mulé, lembre-se de Dukheim: "a merda da sociedade esmaga a porra do individuo" :P

falow e volte sempre!!

Gustavo alves disse...

Porra fui enganadoo todos esses anos por um fdp de um cuelhinho metedo...

aiheihaeuaehaheahehahe



Alvaro parabéns cara vc é o "Mió"...


uaihaueihaueh