domingo, 30 de setembro de 2007

Micro-critica: O grande truque (The Prestige, 2006 - Filme)



As micro criticas são criticas realmente pequenas, mais para comentários mesmo. Elas revelam apenas as impressões que as obras me deixaram, não se preocupando com pormenores (é meio como a conversa que a gente tem com os amigos depois de ver um filme...). Assim sendo, se você não teve contato com a obra analisada na micro-critica, você provavelmente não entendera nada – ou ficara sabendo de Spoiler’s . Leia por sua conta e risco.

Em determinada cena do filme, descobrimos como é feito o truque do desaparecimento (e posterior reaparecimento) do canarinho: o “primeiro” canarinho na verdade é esmagado (e consequentemente, morto), e posteriormente trocado por um "duble" (o "segundo" canarinho). essa cena, para mim, é a que melhor sintetiza o filme.
Um dos motes do filme é que as pessoas gostam de truques porque estes dão a elas um pouco de “mágica” que não existe na vida real (este triste, sujo e cruel). O outro mote do filme é mostrar como isso é verdade mesmo no “mundo da mágica”: atrás de toda a pirotecnia e maravilha dos truques, existe uma tonelada de pássaros esmagados, vidas quebradas, mãos sujas com sangue... “O grande truque” pode ter toques de Ficção cientifica, mas é mais cru e realista do que muitos filmes “sérios”. Não assista se gosta de “mágica” – você verá mais "pássaros esmagados" (reais e metafóricos) do que gostaria de imaginar...

Nota: 9

PS: Eu saquei a maior parte da trama logo no inicio do filme (o que não atrapalhou em nada a graça de assisti-lo): Cristian Bale não é o Batman, eu sou!! :-P

terça-feira, 11 de setembro de 2007

As semelhanças entre Marxistas e Evangelicos



Todo mundo já conheceu ou conhece ao menos um “comunista”. Todo mundo já conheceu ou conhece ao menos um “crente”. O que ninguém fez até agora foi perceber como eles são parecidos...

Se você cursa faculdade você já deve ter visto os famosos marxistas. Se você cursa algo da área de humanas você já deve ter visto vários deles. Se você já esta há no mínimo um ano em uma classe de humanas você já deve ter se enchido deles!!
O fato é que é impossível ignorá-los. Com uma leitura geralmente porca de “o manifesto do partido comunista” (não, eles nunca lêem “O Capital”. Alias, será que alguém alem de Engels leu aquele tijolo??) e de algumas obras de Noam Chomsky, eles costumam importunar todos a volta deles com papos como “ideologia”, “superestrutura”, “luta de classes”, “revolução” e “Os Estados Unidos fedem!”. Geralmente se vestem de maneira esquisita e “alternativa”, e ficam falando em “revolução”. Ao mesmo tempo, esses seres bizarros costumam pertencer as classes razoavelmente favorecidas (a burguesia comercial ou funcionalista publica, também conhecida como classe média, também conhecida como “mauricinhos-da-porra”), usam coisas caras e nutrem um certo desprezo enrustido pelos pobres que tanto defendem...

Bem, mas chega de falar mal deles (na verdade, não chega não. Vou falar mais mal deles abaixo hehehe).

Os evangélicos também são figurinhas fáceis. São figurinhas tão fáceis que vou deixar a preguiça fluir e nem vou me dedicar a uma breve descrição deles (eu não ganho pra escrever esses textos ridículos mesmo...) :P. Ainda assim, tenham em mente que o termo "evangélico" é usado aqui como sinonimo de "fundamentalista cristão". Isso não quer dizer que apenas eles são cristãos fundamentalistas e nem que todos eles o são. é apenas uma maneira de simplificar as coisas.

Como você deve saber as religiões são geralmente mal vistas pelos marxistas, que costumam considerá-las “aparelho ideológico das classes dominantes” (a não ser que o marxista em questão seja religioso - ai ele ira considerar apenas as outras religiões como “aparelho ideológico da classe dominante”). O que até hoje eles não se tocaram é como o discurso deles é parecido com da maioria dos fanáticos religiosos cristãos...

Com vocês, as semelhanças entre os Marxistas e os Evangélicos:

Evangélicos: se você não acredita nas mesmas coisas que ele - ou discorda de alguma coisa que ele falou – você é do demônio ou esta sendo manipulado por ele.
Marxistas: se você não acredita nas mesmas coisas que ele - ou discorda de alguma coisa que ele falou – você é da “classe dominante” ou esta “alienado” por ela.

Evangélicos: Não importa quais e quantos dados você apresente a eles, tal informação estará errada se discordar de algo de sua fé. “Provavelmente tal fato foi manipulado pelo capeta”.
Marxistas: Não importa quais e quantos dados você apresente a eles, tal informação estará errada se discordar de algo de sua “fé”. “provavelmente tal fato foi manipulado pela classe dominante”

Evangélico: Sua doutrina se baseia num único livro sagrado (Bíblia), ao qual leem muito pouco (ou nada). Todos aqueles que questionam ou discordam de algo desse livro estão erradas ou “possuídas”.
Marxista: sua doutrina se baseia principalmente em um único livro (O capital)ao qual leem muito pouco (ou nada). Todos aqueles que discordam são “alienados” ou “alienantes”.

Evangélico: seu livro base foi escrito pelo povo judeu e esta cheio de personagens judeus, mas ainda assim os cristãos usam esse mesmo livro pra condenar os judeus.
Marxista: seu livro base foi escrito por um judeu, mas ainda assim eles adoram acreditar numa conspiração judaico-americana pra dominar o mundo.

Evangélico: Seu livro base foi escrito por vários judeus barbudos.
Marxista: Seu livro base foi escrito por um judeu barbudo.

Evangélico: não costuma fazer nada durante seu dia a dia pra tornar o mundo um lugar melhor, pois esta esperando o “Apocalipse”.
Marxista: não costuma fazer nada durante seu dia a dia pra tornar o mundo um lugar melhor, pois esta esperando “a revolução”.

Evangélico: não costuma praticar assistencialismo porque “Deus dá a cada um o que merece” (ou oferece uma recompensa bacana no “pós-vida”).
Marxista: não costuma praticar assistencialismo porque isso só serve pra “amortecer a luta de classes” (atrasando a tão sonhada revolução, onde tudo será perfeito).

Evangélico: se acusam um do seu grupo fazer alguma coisa ilícita (como adultério, roubo, etc), tal fato é na verdade uma mentira dos "inimigos de Deus".
Marxista: se acusam um do seu grupo de fazer alguma coisa ilícita (como trafico de drogas, corrupção, etc), tal fato na verdade é manipulação ideológica da classe dominante.

Evangélico: se conseguem provar que o membro do grupo fez algo ilícito, ainda assim esta perdoado, afinal “ele é um escolhido de Deus”.
Marxista: se conseguem provar que o membro do grupo fez algo ilícito, ainda assim esta perdoado, afinal “foi pelo bem da revolução”.

Evangélico: o “mundo” esta dominado pelo demônio e os únicos que não estão a mercê dele são “os dos nossos”.
Marxista: o mundo esta dominado pela burguesia e os únicos que não estão a mercê dela são “os dos nossos”.

Evangélico: eles nunca chegam a acordo nenhum entre eles - por isso existem dezenas de denominações evangélicas.
Marxista: eles nunca chegam a acordo nenhum entre eles – por isso que nunca conseguem fazer porra nenhuma.

Evangélico: o homem é naturalmente bom (o capeta o corrompeu).
Marxista: o homem é naturalmente bom (o capitalismo o corrompeu).

Evangélico: A vontade de Deus é a única responsável pelo que ocorre ou deixa de ocorrer no mundo.
Marxista: O movimento da “luta de classes” ( apenas ele) é responsável por todas as transformações na historia e sociedade humana.

Evangélico: O único culpado de tudo de ruim que acontece é o capeta.
Marxista: Os únicos culpados de tudo de ruim que acontece é a “classe dominante”.

Mas espere, não é só isso!!! semelhanças rápidas entre ambos:

- Ambos gostam de condenar e tentar calar filmes, livros e pessoas discordantes.
- Acusam seus inimigos de uso de violência, mas apreciam o uso dela quando é a favor deles
- simpatizam com regimes autoritários.

- não consigo pensar em mais nada :P


PS: Não sou necessariamente contra os marxistas ou mesmo os evangélicos (tenho amigos de ambas as "vertentes"). esse texto tem apenas o intuito de atacar o fanatismo que costuma ocorrer quando membros mais exaltados desses grupos aporrinham outros "civis".

Ainda sobre o assunto, Marx (e outros autores marxistas) fazem parte da minha formação intelectual, bem como os fundamentos cristãos de minha formação moral. O que não suporto é quando ocorre fanatismo nas crenças das pessoas e isso obscurece o bom senso delas...

PS2: contribuições para melhorar ou estender esse texto são bem vindas!! postem suas sugestões nos comentários!
PS3: esse texto ainda sofrera pequenas alterações (como links para noticias). aguardem...

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Encontrado o elo perdido da Luta de Classes?


ATENÇÃO: este é um texto satírico. Se você o levar serio, você é um bocó. Obrigado pela atenção.


A luta de classes é uma teoria controversa. Se alguns a defendem com “unhas e dentes”, outros afirmam não existirem dados reais consistentes que possam comprovar sua existência. A acusação mais comum é que os dados relacionados a ela dependem muito do posicionamento ideológico de quem analisa...
pois bem: eu encontrei uma prova incontestável da opressão dos ricos sobre os pobres!! eu achei o elo perdido da luta de classes!! e ele estava escondido no setor de aperitivos do supermercado...

Todo mundo já comeu um salgadinho nem que seja uma única vez na vida (apesar de dizerem que é impossível comer um só :P). É um tanto obvio que a empresa que domina esse setor é a Elma Chips (ao menos no Brasil). É do conhecimento de todos os diversos aperitivos comercializados pela empresa. Um olhar mais desatento acreditaria que a variedade de sabores existe apenas com o intuito de possibilitar uma maior variedade de escolha pelo cliente... tsc, tsc... Doce (ou salgada) ilusão...

Existe bem mais atrás dos sabores de salgadinho do que crê nossa vã filosofia!!

Todos sabem que existem salgadinhos de variados “pesos” e preços. Dentre os quais, merece destaque a batata "ruffles", que é a que possui o menor “peso” e o maior preço (Geralmente quem é “Boy” compra “Ruffles”). Também merece menção o famoso "Fandangos", que é o que por sua vez possui o maior peso em produto e o menor preço, apresentando a melhor relação custo beneficio para as classes mais populares.
Qualquer um que já tenha observado ao redor deve ter notado que “as massas” quando consomem um salgadinho da elma chips costumam optar pelo “fandangos”, tentando assim encher mais o bucho com menos dinheiro. Seria este um fato banal se não fosse um detalhe: os efeitos colaterais que o fandangos provoca!!
Todo mundo que já comeu aquele maldito salgadinho sabe que o “formato anatômico” que este possui provoca inúmeras lesões nas paredes bucais de quem come (O formato “côncavo” – aliado a impressionante “dureza” do produto – é perfeito para ferir a boca de pessoas indefesas!). Não bastando isso, o sabor extremamente salgado do mesmo também ajuda a aumentar a dor do pobre diabo que o consumir, e o fato dele ser muito duro faz com que o ruído de consumi-lo pareça o de um “cavalo comendo milho”!!! e tem mais - sim, mais ainda!! O fandangos tambem possui a propriedade de grudar seus fragmentos com grande aderencia nas superficies dentarias, fazendo que o pobre que o comeu ainda sofra o transtorno de muitas vezes ser visto com resto de "quirela" - o que é bastante humilhante.
Resumindo: o produto parece que foi criado intencionalmente para humilhar e ferir seu consumidor...

E ai Camaradas? Será apenas coincidência que o salgadinho mais barato (ou seja, “de pobre”) da elma chips provoque danos ao seu consumidor? Será apenas coincidência o “formato anatômico destruidor” aliado a um “precinho camarada”? Ou será a prova definitiva da conspiração dos ricos contra os pobres?

A resposta por enquanto permanece uma incógnita... Mas enquanto isso, recomenda-se as pessoas conscientes consumirem apenas salgadinhos de “marcas genéricas”, cuja “consistência de isopor” não costuma causar muitos danos (a exceção de grudar as vezes no céu da boca e nos dentes :P).

terça-feira, 24 de abril de 2007

Post Fast-food: analises relâmpago de reportagens do Fantástico!!



Neste domingo, na falta de algo melhor para fazer (depois de ter tomado o sagrado sorvete semanal com a patroa :P), acabei assistindo boa parte do programa global “Fantástico”. Esse post é uma analise rápida de algumas reportagens mostradas.


Vizinhos

Eu nunca li Sartre. Tentei uma vez entende-lo de maneira razoável em um livro da série “filósofos em 90 minutos”, mas o resultado foi pífio. Mas mesmo assim, graças a uma única frase atribuída a ele (do qual nem sei o contexto :P), me considero fã do cara. Qual frase? Esta: “o inferno são os outros”.
Essa frase vale mais do que muito livro inteiro. Eu “vejo” ela acontecer a todo instante a minha volta: em fórums na internet, em comunidades do Orkut, nos ambientes públicos, na relação entre vizinhos... em todos esses lugares e situações (e em muitas outras, dos quais não cito para não me estender muito), fica obvia como a tolerância humana com seu semelhante é pequena – e também fica bem claro como o respeito ao “outro” geralmente é nula.

A matéria do fantástico, ao mostrar a convivência dentro de um condomínio de prédios (e os conflitos decorrentes dela), foi extremamente feliz em sua abordagem. A reportagem conseguiu mostrar uma imensa gama de “Joselitos” (criadores de cachorros mal-educados, barulhentos sem-noção, e até mesmo os “atiradores de lixo pela janela”). Disso tudo, o mais “engraçado” foi o fato de nenhum deles se enxergar como “culpados” ( o inferno, claro, é sempre os “outros”). Nenhum deles pareceu se colocar no lugar do “outro”, olhando apenas seus problemas individuais. O mais grave nisso tudo, é que era extremamente fácil resolver os problemas com o mínimo de bom senso (como transportar os cachorros pelo elevador de serviço, usar fones de ouvido ou ser minimamente higiênico). Eram problemas que um pouco de “empatia” resolvia.

Existe um fator ainda mais interessante para notar: o individualismo de todos acabava por prejudicar a todos!! Como numa versão moderna do “estado de natureza Hobbesiano”, acredito firmemente que esse quadro tornava a vida da absoluta maioria bem mais difícil (o criador de cachorro provavelmente vai “receber” lixo na janela, os barulhentos serão atacados por cachorros no elevador, e os “lixeiros” provavelmente vão sofrer com a baderna dos “barulhentos”).
Será que um dia esses panacas acabarão por perceber isso (que todos saem prejudicados com a “falta de noção” individualista)? Ou continuarão com sua eterna guerra de picuinhas? Minha experiência empírica diz que esse quadro dificilmente muda, mas ainda tenho uma fagulha de esperança na humanidade (minúscula, mas tenho)... Só espero que aqueles otários resolvam seus problemas sozinhos logo – antes de um sindico absolutista tome o poder e acabe com a regalia de todos...


Auto-Hemoterapia

O fantástico também mostrou uma boa reportagem sobre um fenômeno de fraude medica conhecido como “Auto-Hemoterapia”.
Achei muito boa a iniciativa de alertar a população sobre essa prática fraudulenta. Só que ainda assim, creio que a reportagem poderia se estender mais.

Será que ninguém mais (além de mim) consegue enxergar que parte da culpa desse fenômeno é resultado da péssima situação em que se encontra a saúde publica brasileira? Ou simplesmente não tiveram coragem de abordar isso na reportagem?

Tais praticas fraudulentas costumam surgir no vácuo do Estado. Exemplo? Em determinado momento da reportagem, uma mulher entrevistada (usuária do método) diz algo como “eles conversam com a gente”. A frase da Mulher resume toda a questão.
Em um sistema de saúde sucateado como o SUS, onde a demanda por tratamentos supera absurdamente a capacidade do Estado em fornecê-los, o evento mais comum é um paciente ser tratado como “coisa”. A “coisa” fica horas na fila. A “coisa” é mal atendida por um medico que mal olha e conversa com ela (e não é culpa do “individuo” medico, já que provavelmente ele atende mais casos do que a capacidade humana dele permitiria). A “coisa” é encaminhada para uma outra fila para ter acesso ao tratamento. A “coisa” é novamente mal atendida. A “coisa” recebe o tratamento errado, insuficiente, ou não o recebe. A “coisa” começa a se cansar de ser vista como “coisa”...
Pois bem, agora imagine finalmente a “coisa” sendo atendida como “pessoa”... imagine ela não ter que passar por imensas filas, ser bem atendida e ouvida e ainda de quebra receber a promessa de uma “cura milagrosa”. É obvio que entre o SUS e o medico charlatão ela vai ficar com o ultimo (que por bem ou mal, a tratou como gente).

E esse não é um fenômeno isolado. Existem em profusão sintomas da falência do Estado em cumprir suas obrigações. Um dos exemplos mais óbvios é referente ao crescimento das igrejas evangélicas neo-pentecostais em áreas de intensa pobreza (onde o vácuo do estado é quase absoluto). Muita gente “branquinha e rica” fica se perguntando como “pobre” acredita mesmo que um pastor vai tirar o “capeta” do corpo dele (e com isso, seus outros problemas). A resposta é simples: ele não tem muita alternativa!! Depois de sofrer todo o processo “coisificante” do Estado, a mínima fagulha de esperança é encarada como um “sol”. A culpa não é do “pobre” por ser burro, mas do estado por ser incompetente (o “pobre” pode até ser burro, mas será que isso não tem nada a ver com péssima situação do ensino publico?).

Assim sendo, acredito que enquanto a política do estado se focar unicamente em “combater os charlatões”, e não olhar para o próprio rabo, o problema só tende a agravar-se... Os charlatões agradecem.


Igreja Católica

Somente para finalizar, estou notando o recomeço de namoro entre a “rede globo” e a “igreja católica”... vou continuar analisando os “sintomas”, mas acho que vou ter assunto para um mega-post em breve.


PS: ainda nesta semana, analise “sociológica-nerd” sobre o massacre ocorrido na universidade americana. Não percam!


domingo, 22 de abril de 2007

Hannibal Rising e outras tranqueiras...

E ai leitores do Blog (cerca de 3 ou 4 pessoas :P)? Essa semana não foi possível postar nada interessante, devido a falta de tempo (e inspiração) para finalizar alguns textos. Dessa forma, apenas pra não deixar o blog "no vácuo" (e para atrair alguns leitores esporádicos que cairão aqui por engano - hehehe), aproveito o lançamento do tosquissimo novo filme do personagem Hannibal (que eu não vi, mas com certeza deve ser uma m%#*@) para republicar um tosquissimo Cartum meu.

Fiquem agora com as terríveis revelações sobre a juventude do mais temido psicopata dos cinemas!!!





sexta-feira, 13 de abril de 2007

Será que a Microsoft se beneficia com a pirataria de seus produtos?


Todos nós sabemos que mesmo quando não provoca prejuízos diretos, a pratica da “pirataria” ao menos deixa de dar lucro as empresas. É um raciocínio bem obvio de se fazer. O que talvez nunca se imaginou (até agora) é que as vezes ela sirva pra dar lucro...
A principio minha ultima frase acima parece absurda ( e talvez seja), mas quando acabar de ler esse texto talvez você não a ache tão absurda assim... para isso, vou guiar vocês no tortuoso caminho que me fez chegar a conclusão de que a Microsoft provavelmente lucra com a pirataria de seus produtos...

Não sei precisar exatamente o momento exato do meu “insight”, mas ele tem relação direta com as propagandas recentemente veiculadas em revistas (não sei todas as revistas em que apareceram, mas me lembro de “Veja” e “Super Interessante”). Em tais propagandas, apareciam varias empresas (“Sucos del Valle”, por exemplo) que trocaram seu sistema operacional Linux por Windows. O argumento usado na propaganda é o de “confiabilidade” e outras tonteiras do tipo.
Agora vamos pesar alguns fatores: os produtos Microsoft são um dos mais pirateados do mundo, e com certeza os mais pirateados da área de informática. Não possuo dados (quem puder me passar, agradeço) mas creio que deva existir no mínimo o triplo de Windows piratas a cada original. O mesmo vale para seus outros produtos, como a plataforma Office.
O Windows se tornou quase sinônimo de sistema operacional, a ponto de muita gente ignorar que existem outros. Pra maioria do “povão” (aqui incluo ricos e pobres) computador só é computador com Windows. É aqui que notamos um efeito colateral da pirataria entre usuários domésticos: ela transforma a Microsoft em um padrão quase universal!!
Agora imagine o seguinte quadro: você é dono de uma Mega-Empresa de “sabe-lá-o-quê”, e como quer gastar menos, resolve implantar o Linux (ou outro sistema) como padrão dos seus PC’s. Você pensa que está fazendo um ótimo negócio, afinal, os produtos Microsoft são caríssimos de se adquirir e manter. Beleza... só que começam a surgir outros problemas: 1 - a maioria dos seus empregados nunca viu aquilo na vida dele, e não sabem como lidar (Você provavelmente vai ter que dar treinamento a eles, e isso –obvio – vai custar tempo e dinheiro); 2 – A inexperiência dos funcionários com o novo sistema acabará causando muitos equívocos e atrasos, diminuindo a produtividade da empresa (por melhor que tenha sido o treinamento que receberam, não se esqueça de que eles estão acostumados com Windows, e estar acostumado com algo é sempre mais forte do que ser treinado em algo); 3 – A facilidade “plug&play” do Windows acostumou mal eles, que reclamam a toda hora da falta de praticidade do novo sistema operacional; 4 – a falta de experiência no novo sistema acaba provocando “cagadas” que forçam a constante presença de manutenção técnica; 5 – não consegui pensar em mais nada, mas provavelmente existem mais coisas (aceito sugestões) :P
Observe também o seguinte aspecto: como o Windows é utilizado pela maioria absoluta de usuários de PC’s, as empresas que desenvolvem softwares diversos (gráficos, administrativos, etc) costumam dar prioridade a plataforma Windows!! Assim, muitas vezes pelo simples fato de que uma empresa precisa de Windows pra rodar programas essenciais para seu bom funcionamento, ela se vê forçada a adota-lo como plataforma padrão.
Partindo do mesmo raciocínio do parágrafo anterior, imagine o seguinte quadro: você tem uma empresa de software. Como todos bem sabem, toda empresa busca lucrar o máximo possível. Assim sendo, seus investimentos serão destinados na produção de softwares que atendam a maioria dos usuários... e como a maioria absoluta usa Windows, você provavelmente vai investir na criação de produtos para esses usuarios... E bingo!!! Você alimenta indiretamente o “circulo”!!
Agora vamos analisar outra coisa interessante: Geralmente quem usa um produto pirata nunca iria adquirir um original. São pessoas ou “sem dinheiro” ou "sem interesse" em ter um original. Se algo dificultasse muito a compra de produtos piratas, essas pessoas continuariam sem dar lucro a ninguém, pois provavelmente não comprariam os originais. Assim, o combate a pirataria entre usuarios domésticos ia gerar mais ônus do que bônus, sendo bem pouco compensatório para a Microsoft. Nota: não conta aqui a famosa estrelinha do XP, que enche o saco, mas é bem pouco efetiva no combate a pirataria.
Assim sendo, o lucro que a Microsoft deixa de obter com os usuários piratas, é compensado pelo fato da pirataria transformar a plataforma em padrão (doméstico e empresarial)!! E o fato de ser “padrão” anula as tentativas de qualquer outro desenvolvedor se estabelecer no mercado. O fato de ser “padrão” faz com que a maioria (mesmo sem querer) tenha que se submeter ao “monopólio” da Microsoft. Em suma, o fato de ser padrão mantém a Microsoft no topo! E a conclusão obvia que se tira disso, é que possivelmente, ao invez de dar "prejú", a pirataria só ajuda o monopolio do "Tio Bill" a se manter quase absoluto...

E assim, por linhas tortas - mas bem escritas - a Microsoft mantém sua “linda” hegemonia no mundo dos softwares. E, ao que tudo indica, vai continuar sendo assim por um bom tempo...

PS1: Isso não é uma “teoria da conspiração”. Não to dizendo que a Microsoft propositalmente incentiva a pirataria de seus produtos. Estou apenas apontando um provável efeito colateral benéfico à empresa.

PS2: Também não to afirmando uma verdade absoluta. Isso é apenas uma especulação. Mas quem quiser contribuir com dados pra torná-la mais cientifica, será bem vindo.

PS3: digitei isso no Word... Pode ser coincidencia, mas ele me mandava escrever "Microsoft" e "Windows" em maiúsculo e me dizia que "Linux" não existia como palavra :P