segunda-feira, 18 de junho de 2012
Richarlis Dawnkinson
sexta-feira, 28 de março de 2008
Post especial de Páscoa Nº2: “perdoa-os Pai, pois não sabem o que fazem”
Se você atentar para as mídias no período da páscoa, vai notar que apesar de uma ou outra reportagem sobre chocolate e coelhos, a maior parte delas foca o lado religioso da coisa. É missa pra cá, filme bíblico para lá, reportagem tosca acolá... porém, o que pouca gente percebe são as incongruências e tosquisses presentes nessas abordagens. Assim sendo, esse artigo visa comentar as coisas mais toscas que esse humilde escrevinhador já teve o (des)prazer de averiguar!!
O que realmente provoca meu desinteresse por freqüentar algum “culto” são dois motivos simples: 1- A maioria dos cristãos nunca sequer leram a bíblia (quem dirá entender o que tá escrito); e 2- Os cristãos em geral são hipócritas com relação a própria fé, sendo em suas atitudes bem pouco (errr...) cristãos.
Sendo assim, como vivo explicando teologia pra cristão (!!) e a maioria deles é tão (ou mais) feladaputa quanto o resto da humanidade, não sinto ímpeto nenhum em fazer parte de alguma “comunidade fraternal de amor ao próximo” (muito “amooorrrr” ¬¬).
Apesar disso, esse texto não terá um foco “ateísta”. Ao analisar os eventos abaixo, vou julga-los por fatores simples como “tosquisse”, erro histórico e erro de interpretação. Se você for um religioso não-fanático, aposto que vai concordar com a maioria das minhas argumentações (apesar do meu senso de humor meio corrosivo...:-P).
O filme ganhou fama de ser “historicamente verossímil”. Nada mais longe da verdade... o filme esta longe de ser até mesmo “biblicamente” verossímil!! Com exceção de cenários muito bem reproduzidos, um figurino competente e o fato dos personagens falarem na linguagem da época (latim, hebraico e aramaico); todo o resto do filme tem a consistência histórica-biblica de um pudim.
Seria a culpa então de Mel Gibson? Sim e não...
Vamos aos fatos: Gibson é um Católico ultra-conservador, e seu filme retrata a visão de... um católico ultra-conservador! Não é exatamente culpa dele se o publico encarou sua visão dos fatos como “precisa” (ele apenas tava sendo fiel a própria concepção de fé – que diga-se de passagem, é uma merda).
Embora o filme se diga baseado nos “evangelhos”, sua base real é outra: arte sacra. Como todo católico, Gibson não é muito amigo da leitura; ao mesmo tempo, a maioria das Igrejas católicas são ricamente ornamentadas com pinturas que retratam a “paixão” (e esse costuma ser o primeiro contato dos pequenos católicos com a historia de cristo). Essas pinturas tem sua origem na idade média, e servia ao propósito simples de servir de “infografico” para a população iletrada. Como os católicos geralmente só pegam na bíblia pra pedir milagre, a maioria nunca supera essa visão simplista da história de cristo - e Gibson não é exceção. A visão de Gibson é exatamente essa: a de um católico médio. Seu filme nada mais é do que a versão live action das pinturas que ornamentam igrejas!! Mas este esta longe de ser o problema principal de “A Paixão”...
Essa cena é ridícula em todos os sentidos possíveis. Alem de não existir leve menção a maus tratos por parte dos soldados judeus nos evangelhos (até mesmo no de João, que é claramente anti-semita, não há uma linha sequer sobre isso), tal cena é inverossímil por outros fatores: Se imagine no lugar dos soldados (se quiser, faça a relação com seu equivalente moderno: um policial). O teu chefe te acorda de madrugada pra pegar um cara qualquer e entregar pra ele. Você vai lá, cortam a orelha de um colega seu, mas o cara que tu foi prender cura ela milagrosamente. Resumindo: você esta com um puta dum sono e seu prisioneiro nem oferece resistência (pelo contrario, a proíbe). Porque diabos você perderia tempo aporrinhando ele?? Não seria muito mais vantajoso apenas entregar ele logo pro teu chefe e ir dormir??! E porque você jogaria o cara duma ponte? O prisioneiro ainda ia ser julgado e poderia morrer com a queda (não foram uns cola brincos do Capitão Nascimento, e sim uma queda de vários metros). Você arriscaria ser castigado (ou morto) pelo patrão apenas em nome da “diversão brucutu”??
O intuito dessa cena é ser grotesca mesmo. Quanto ao chicoteamento, salvo exageros masoquistas, não há nada de mais na cena. Era isso mesmo que acontecia. O problema é o soldado. Se imagine no lugar do Soldado (já viu Roma? Imagine alguém como Vorenus): você teve que ir praquela droga de Palestina porque é páscoa e as chances de uma rebelião é grande. Cê deixou tua família em casa, o lugar é perigoso, e ao contrário de campanhas de conquista, a única coisa que vai receber por isso é o soldo normal. Você é soldado porque seu sonho era matar e espancar gente? Talvez. Mas talvez você seja soldado porque era a única coisa que você poderia fazer...
É possível que a porra do soldado incumbido do chicoteamento fosse um “psicopata” (quem pode dizer com certeza?). Mas as chances dele ser só um cara normal são muito maiores. Veja muitas das pessoas que ajudaram direta e indiretamente Hitler em sua política de extermínio aos judeus e você contastará que a imensa maioria deles eram pessoas comuns. É o que a teórica política Hannah Arendt postulou na sua tese sobre a “banalidade do mal”: pessoas comuns são capazes de coisas terríveis, desde que sejam “padrões sociais”. E quer saber? Eu acho muito mais assustador uma pessoa que pratica algo ruim por comodidade do que uma que pratica por prazer (este pelo menos tem a desculpa de ser um “doente”). Se o soldado se comportasse como um cara normal fazendo um trabalho terrivel, pelo menos a cena serviria como reflexão sobre nossa passividade em relação a coisas cruéis. Mas do jeito que foi mostrado, só serviu ao maniqueísmo típico de hollywood (e das religiões em geral).
Por que diabos o capeta (sim, péssimo trocadilho :-P) iria se divertir com a morte de Jesus sendo que isso seria um tremendo prejuízo pra ele?? Se a morte de Jesus significa uma nova aliança onde nosso pecado original foi lavado, isso não deveria ser motivo de preocupação pro capeta? Quando Cristo “vence a morte” não é a mesma coisa que dizer para Satã “Chupa Mané”? Não na cabecinha de Mel Gibson...
Vamos a alguns fatos históricos: a crucificação era a pena romana para rebeldia política e Jesus ia ser crucificado como possível rebelde. Barrábas também ia ser crucificado, logo era algum tipo de rebelde (provavelmente um Zelota ou Siccari).
Assim sendo, Barrabás dificilmente pareceria o “vilão de desenho animado” que o filme mostrou. Ele seria mais parecido com algum tipo de líder carismático, e não com um Bebum. Ele dificilmente daria risadinhas ao ser escolhido pelo povo, mas sim manteria uma postura de “um dia mato esses romanos”.
E por que o povo escolheu Barrabás? O Messias que os Judeus esperavam era um messias guerreiro (assim como Davi fora outrora), alguém que libertasse seu povo do jugo romano (e não alguém que trouxesse uma “nova aliança”). Quando chega a Jerusalém, Jesus dá claros indícios que seria o “estilo Davi” de messias: ataca os mercadores do templo e avisa que vai destruí-lo (tal ato é extremamente forte simbolicamente, já que os Fariseus exploravam a população juntamente com Roma).O povão “delira” com a possibilidade de alguém finalmente chutar o rabo dos invasores romanos e da corja que os apóia. Por sua vez, Jesus em seguida faz......... nada
O povo tava “no maior gás” imaginando que Cristo ia “quebrar o pau”, imagina quando eles vêem seu possível messias porradeiro entregue aos romanos (e sem resistência)?? Que tipo de messias é esse que aceita ser humilhado e não resiste?? Cadê a porrada?? Vendo que Jesus não era o tipo de messias que esperavam, o povão preferiu o bom e velho Barrabás (que pelo menos matou uns romanos, ora pois!).
Novamente, Gibson perdeu uma bela chance de refletir sobre a tendência humana para a violência. A mudança que Jesus propunha era moral (e não de estado). Não era uma questão de subjugar Roma, mas de criar uma sociedade mais tolerante (“dê a outra face”). Se mostrasse Barrabás como realmente era (alguém que usa da violência na tentativa de criar um mundo mais justo), Gibson teria uma ótima metáfora sobre a tendência humana a resolver tudo pela força. Seria mais ou menos como dizer “as pessoas sempre preferem o caminho da violência ao da tolerância”...
Mas nããããoooo... Gibson preferiu criar uma cena clichê onde os “judeus” parecem se divertir ao libertarem um porra-louca no lugar de um pacifista. Parabéns Gibson!! De certa forma você criou uma ótima metáfora sobre maniqueísmo e ódio gratuito (seu filme como um todo)...
Você já notou como nos filmes todo vilão geralmente morre? Eles não são presos nem nada, apenas morrem (porque o “mocinho” os mata ou porque eles tropeçam em algo :-P). essa cena descrita acima mostra com perfeição esse tipo de clichê: nos evangelhos, a cena se resume a um “salteador” que duvida do “messias” e outro que o aceita. Só. Nada mais. Nothing more. Necas.
Então por que Gibson resolveu colocar a porra de um corvo ali? Primeiro o velho clichê cinematográfico que de que o “mal” sempre tem que se ferrar (apesar do cara já estar bem ferrado). Segundo, porque Gibson é um retardado que acha que Jesus concordaria com punir um “ímpio” a beira da morte. De amargar...
Sinta o amor de Jesus no coração – ou morra :-P
Como todos sabem, Agnaldo adora “pagar de crente”. Ao ser questionado no “Nada Além da Verdade” sobre sua opinião sobre a pena de morte, ele respondeu que era a favor. Nada contra. Eu também sou a favor em muitos casos. O problema é que o fulano se alega “cristão”...
Para piorar o fato, Silvio Santos perguntou a uma das pessoas que o acompanhava (acho que era irmão dele, sei lá...) o que achava da resposta de Agnaldo... e o cara, como bom “cristão” (¬¬) respondeu: concordo. Jesus disse “ame o próximo como a ti mesmo”, mas também disse que “quem com ferro fere, com ferro será ferido”. (NOTA: ele poderia ter citado uma das “trocentas” argumentações pró-violência do Antigo Testamento. Mas preferiu colocar Jesus no meio do rolo...)
A coisa fica ainda pior se levarmos em conta o contexto da frase que o trouxa usou na sua justificativa. O momento
Se a frase de Jesus aponta a conseqüência das pessoas que vivem “pela espada”, a versão corrompida justifica esse tipo de vida: pode-se e deve-se matar pessoas “que merecem”. Se esse cara tivesse vivo na época de Jesus, provavelmente seria mais um na multidão a gritar “Barrabás, Barrabás!!”.
Repórter Record: Recorde de idiotice (sim, isso é um trocadilho infame)
Não se contentando em exibir (pela bilionésima vez) filmes bíblicos da década de 1970, nessa páscoa a Record resolveu por ela mesma a mão na massa. E o resultado foi uma titica...
O tema da reportagem foi basicamente o seguinte: nos vamos até o monte Ararat, o lugar onde a arca de noé desceu após o dilúvio!! Será que descobriremos destroços da Arca??
Mas onde estão os fatores que tornam tal fato ridículo? Se fossemos levar pelo caráter mais secular, o assunto tratado já seria ridículo. A maioria dos Judeus e teólogos cristãos moderados consideram o fenômeno descrito na Bíblia (a inundação do mundo todo) apenas simbólico, ou quando muito, a interpretação limitada do povo que escreveu a historia sobre um fenômeno local (ou seja, houve um dilúvio, mas não “universal”).
Mas a reportagem também ousa ir por caminhos (ainda) mais ridículos... notou como eles afirmam com convicção que o referido monte é com certeza o monte onde a arca desceu? Pois bem, isso nunca foi certeza para ninguém. Não existe referencia ao nome do monte na Bíblia, apenas a região (Ararate, na Armênia). A possibilidade de ter sido o Monte Ararat em especifico é apenas especulação (cujos argumentos têm pouca consistência cientifica).
Num dos momentos mais “sublimes” da reportagem, o repórter que escalou o monte reclama do frio extremo (o topo é congelado) e diz: “como será que Noé e sua família conseguiram enfrentar essas adversidades?”. Se eu estivesse lá, diria a meu colega “sofista” isso: “muito provavelmente porque (caso tenha havido mesmo um dilúvio) não foi nessa porcaria de monte íngreme e inóspito que Noé desceu ¬¬”. O pior mesmo dessa reportagem não foi o foco bíblico (dá pra se falar sim de assuntos biblicos sem cair no ridículo), mas a tentativa podre de fazer os telespectadores deliberadamente de idiotas. O motivo que aparentemente levou a produção de tal programa não foi a fé no eventos tratados, mas os pontos no Ibope garantidos por gente simples – alias, enganar gente simples parece ser é um dos talentos mais desenvolvidos de Edir Macedo O_o.
"Ciência Cristã"
A crucificação é um mistério para historiadores modernos. Faltam documentos descritivos, ossadas das vitimas, e desenhos que a representassem (os desenhos que ornamentam igrejas são de uma época onde tal pena capital já estava extinta). Apesar disso, alguns pesquisadores sérios tentam desvendar os detalhes obscuros de como realmente seria uma crucificação no séc. I. Um dos poucos consensos nessa área, é que se realmente fora pregado na cruz (a maioria dos condenados era amarrado), o local onde iria tal prego seria o pulso (já que os tendões e músculos das mãos romperiam com o peso do corpo). Porém...
Bem, o erro é que a velhinha cometeu um equivoco histórico terrível (e bem comum): a de que o soldado tava sendo sacana com Jesus!! Na verdade, o soldado deu exatamente o que Jesus pediu, já que os romanos misturavam vinagre à água para dar a suas tropas (por motivos de higiene – vinagre é um dos mais antigos e eficientes desinfetantes). Por esse ponto, o coitado do soldado tava até sendo legal... e sem querer querendo, a pobre beata disse que pecar e negligenciar Jesus é algo positivo :-P.
Na introdução o autor (Augusto Cury) se apresenta como um “psicólogo agnóstico” e diz que seu livro é “laico” (¬¬). Eu fui lendo maximo que pude, até que cheguei num trecho memorável de tão ruim: a intenção do livro era provar a imensa capacidade de Jesus como líder e companheiro. Para isso, ele menciona o trecho do evangelho de João
Mas esse primeiro erro é até passível de “relativização”, já que pressupõe uma interpretação teológica equivocada (coisa muito comum)... o segundo erro que é grotesco, já que mostra que Cury nem sabe interpretar texto!!
O segundo erro é pressupor que o olhar que Jesus possivelmente deu para Pedro era de conforto. Se vocês voltarem um pouco atrás na bíblia, vai ver que quando Pedro tenta “dar uma de gostoso” pra cima de cristo dizendo que “nunca o abandonaria”, Jesus lhe dá uma tremenda “tirada” dizendo: “antes do galo cantar, você me negará três vezes”.
“Os animaizinhos, subiram de dois em dois!!”
2- Eu fui ácido ao me referir a católicos e evangélicos, mas tais expressões não tem o intuito de servir como preconceito religioso. Foram usadas apenas em nome do humor. Se ainda assim você se sentiu ofendido, lembre-se que o bom cristão sempre perdoa os inimigos :-P.
3- Se quiserem saber um pouco mais sobre o Jesus histórico, acessem o site da super e vejam as matérias que já saiu sobre isso. Para um entendimento mais profundo, adquira um livro sobre o tema (mas ler a Bíblia já seria um ótimo começo)
4- Sobre o fato dos romanos terem sorteado a túnica de Jesus entre eles, isso não é nada cruel ou anormal (no ponto de vista da época): estavam apenas exercendo o direito de pegar espólios.
5- As citações aos filmes, reportagens, a bíblia e ao livro de Cury são “citações livres”: reproduzem o ponto de vista do autor, e não suas palavras exatas.
7- Meu lado maldoso gostaria de ver um “Criaturas Bíblicas” envolvendo um bode (ou um pombo) em “levítico” :-P
terça-feira, 25 de março de 2008
Post especial de páscoa nº1: malditos coelhos capitalistas!!
Ahhh... a páscoa... originalmente um feriado religioso judaico (comemorava a fuga do Egito), foi transformado posteriormente em feriado religioso cristão. Hoje em dia ninguém liga muito pro lado cristão da coisa (e muito menos pro lado judaico :P), e o feriado se tornou mais um dia do ano pra gastar dinheiro com porcaria e agüentar priminhos chatos...
“Má perae porra? Como foi que apareceu um coelho nessa historia? Porque essa merda de feriado religioso acabou se tornando mais um feriado “capitalista”? capitalismo!!! Caralho então você vai falar do velhinho barbudo (não Papai Noel, mas Marx)?? Arrggghhhhh!! To ficando zonzo...”
Palma, palma amiguinhos... não entrem em cânico...vocês vão descobrir isso e muito mais no nosso (sim, tenho múltiplas personalidades :-P)... tham tham tharammmm... post especial de páscoa (nº1)!!!
Sobre coelhos, ovos e chocolates (nham, nham)
Mas como as coisas se misturaram (coelho + ovo)?? Bem, sei lá eu :P... imagino que ambas as tradições tenham corrido em paralelo por muitos séculos, até se misturarem completamente no decorrer do século XIX ou XX...
Má onde entra o chocolate? Bem, era um costume presentear os amigos e crianças na páscoa com ovos (de galinha mesmo) decorados e “enviadados”. No começo do séc. XIX, algum capitalista safado e esperto achou que era boa idéia fazer ovos de chocolate pros outros darem de presente na páscoa... e a coisa foi evoluindo até se tornar essa putária que é hoje...
É, é só isso (Falei que ia ser rápido e rasteiro, não adianta reclamar). Agora vamos falar de “capetalismo”!!
A maldição intelectualóide
De fato, é extremamente penoso para qualquer um ler um texto escrito por marxistas. Eu imagino que eles adquiriram esse hábito como forma de combater alguns preconceitos estabelecidos sobre eles (como o de terem pouca formação – e de não tomarem banho). Assim, eles passaram a se expressar de maneira “intelectualóide” pra passar a idéia de que estudaram bastante (NOTA: Lula não se enquadra nesse quadro. Aposto um mindinho que ele nem sabe o que é dialética, quem dirá mais-valia. Alem disso, quando ele fala algo ininteligível é porque falou errado mesmo XD)
Por outro lado, tal postura é bem antagônica em lideranças que almejam “mobilizar e libertar o povo da opressão capitalista”. Pro “povo" ter “consciência de classe” (essencial pra tomar algum tipo de atitude) ele precisaria entender um pouco mais da própria realidade – coisa que dificilmente conseguirá lendo textos escritos com linguagem de relatório jurídico :-P.
Mas afinal por que eu escrevi tudo isso?? Apesar de parecer, não é porque estou treinando pra quando trabalhar pra alguma revista e ganhar por palavra escrita... o motivo é o seguinte: embora tudo seja falível, errar sempre é uma merda (e ninguem gosta de errar)...
Eu tenho bem guardado na cabeça a explicação do meu professor da faculdade sobre o que é “fetiche” no termo marxista. Ao mesmo tempo, eu acho sempre bom dar uma relida em qualquer assunto antes de se falar sobre ele para outras pessoas. Aí que esta o problema: sou um ser que quase nunca copiou matéria na vida, e é obvio que não tenho o caderno com o resumo feito pelo meu professor :-P. Assim sendo, tive que recorrer à maldita internet pra suprir minha “revisão memorial” (segundo neologismo do dia - chupa Guimarães!!). E ai, como já era esperado, me deparei com um monte de textos que fazem a leitura de Ulisses parecer menos intragável. Como conseqüência, vocês vão ler um texto escrito baseado apenas nos meus nobres neurônios, que embora sejam muito confiáveis, são passiveis de erros.
Se você for um marxista visitando o blog, esteja a vontade para apontar correções (apenas escreva de modo que eu entenda – e tome um banho).
Assim sendo, acho que o conceito de fetiche não deve ser usado pra criticar qualquer coisa cujo valor de troca supere muito o valor de uso, já que as vezes este pode carregar um valor de uso implícito: ajudar a transar!!
Pra quem acha que isso não tem valor nenhum, só vou lembrar: você só esta lendo este texto agora porque seu pai comeu a sua mãe (arrá, sacanei!! Aposto que você não gosta de pensar nisso!! Bwahahahahha!! Mas a culpa não é minha se temos herança judaico-cristã e complexos freudianos... :-P). A pratica da reprodução é essencial em qualquer espécie bem sucedida, e humanos não são de forma alguma exceção...
É claro que o conceito de fetiche também se aplica no quadro acima (já que o que torna um jeans “de marca” mais importante que outros é apenas uma convenção humana). Mas eu acho que o termo sempre é melhor utilizado quando exemplifica uma relação onde o valor de troca aumenta muito o preço de um produto, mas geralmente oferece poucos resultados concretos. Exemplos? O valor de troca de um jeans é duradouro (Você vai poder utiliza-lo seguidas vezes). A mesma coisa um carro de luxo, uma jóia... esses exemplos não se enquadrariam muito no fetiche, já que de certa forma valem seu preço. Mas nem todos os produtos são assim...
“_então quais seriam eles, babaca?”
Os itens onde você paga mais pelo caráter simbólico, mas sua durabilidade é ínfima!! Esses sim são exemplos perfeitos de fetiche - e eles existem aos montes!! Mas meu exemplo preferido são os huevitos de páscoa...
Vamos buscar alguns exemplos? o ovo de páscoa do Bátima vem com uma capa xexelenta de brinde e 180g de chocolate ao leite (custa 30 merréis). com a mesma grana dá pra você gastar R$19,90 em um boneco articulado e comprar duas barras de chocolate branco (que juntas, contam
Alem disso, a maioria dos brindes que vem dentro desses ovos são encontrados (em versão melhor e mais barata) em qualquer camelô!!
Pronto!! Viu como não era difícil o troço? Tá certo que o artigo seria de melhor utilidade se eu tivesse escrito ele antes da páscoa, mas quem liga para esses detalhes?? O que importa é que você aprendeu finalmente a lição: na próxima páscoa, vê se não compra gato por lebre!! O_o
terça-feira, 11 de setembro de 2007
As semelhanças entre Marxistas e Evangelicos
O fato é que é impossível ignorá-los. Com uma leitura geralmente porca de “o manifesto do partido comunista” (não, eles nunca lêem “O Capital”. Alias, será que alguém alem de Engels leu aquele tijolo??) e de algumas obras de Noam Chomsky, eles costumam importunar todos a volta deles com papos como “ideologia”, “superestrutura”, “luta de classes”, “revolução” e “Os Estados Unidos fedem!”. Geralmente se vestem de maneira esquisita e “alternativa”, e ficam falando em “revolução”. Ao mesmo tempo, esses seres bizarros costumam pertencer as classes razoavelmente favorecidas (a burguesia comercial ou funcionalista publica, também conhecida como classe média, também conhecida como “mauricinhos-da-porra”), usam coisas caras e nutrem um certo desprezo enrustido pelos pobres que tanto defendem...
Bem, mas chega de falar mal deles (na verdade, não chega não. Vou falar mais mal deles abaixo hehehe).
Os evangélicos também são figurinhas fáceis. São figurinhas tão fáceis que vou deixar a preguiça fluir e nem vou me dedicar a uma breve descrição deles (eu não ganho pra escrever esses textos ridículos mesmo...) :P. Ainda assim, tenham em mente que o termo "evangélico" é usado aqui como sinonimo de "fundamentalista cristão". Isso não quer dizer que apenas eles são cristãos fundamentalistas e nem que todos eles o são. é apenas uma maneira de simplificar as coisas.
Como você deve saber as religiões são geralmente mal vistas pelos marxistas, que costumam considerá-las “aparelho ideológico das classes dominantes” (a não ser que o marxista em questão seja religioso - ai ele ira considerar apenas as outras religiões como “aparelho ideológico da classe dominante”). O que até hoje eles não se tocaram é como o discurso deles é parecido com da maioria dos fanáticos religiosos cristãos...
Com vocês, as semelhanças entre os Marxistas e os Evangélicos:
Evangélicos: se você não acredita nas mesmas coisas que ele - ou discorda de alguma coisa que ele falou – você é do demônio ou esta sendo manipulado por ele.
Marxistas: se você não acredita nas mesmas coisas que ele - ou discorda de alguma coisa que ele falou – você é da “classe dominante” ou esta “alienado” por ela.
Evangélicos: Não importa quais e quantos dados você apresente a eles, tal informação estará errada se discordar de algo de sua fé. “Provavelmente tal fato foi manipulado pelo capeta”.
Marxistas: Não importa quais e quantos dados você apresente a eles, tal informação estará errada se discordar de algo de sua “fé”. “provavelmente tal fato foi manipulado pela classe dominante”
Evangélico: Sua doutrina se baseia num único livro sagrado (Bíblia), ao qual leem muito pouco (ou nada). Todos aqueles que questionam ou discordam de algo desse livro estão erradas ou “possuídas”.
Marxista: sua doutrina se baseia principalmente em um único livro (O capital)ao qual leem muito pouco (ou nada). Todos aqueles que discordam são “alienados” ou “alienantes”.
Evangélico: seu livro base foi escrito pelo povo judeu e esta cheio de personagens judeus, mas ainda assim os cristãos usam esse mesmo livro pra condenar os judeus.
Marxista: seu livro base foi escrito por um judeu, mas ainda assim eles adoram acreditar numa conspiração judaico-americana pra dominar o mundo.
Evangélico: Seu livro base foi escrito por vários judeus barbudos.
Marxista: Seu livro base foi escrito por um judeu barbudo.
Evangélico: não costuma fazer nada durante seu dia a dia pra tornar o mundo um lugar melhor, pois esta esperando o “Apocalipse”.
Marxista: não costuma fazer nada durante seu dia a dia pra tornar o mundo um lugar melhor, pois esta esperando “a revolução”.
Evangélico: não costuma praticar assistencialismo porque “Deus dá a cada um o que merece” (ou oferece uma recompensa bacana no “pós-vida”).
Marxista: não costuma praticar assistencialismo porque isso só serve pra “amortecer a luta de classes” (atrasando a tão sonhada revolução, onde tudo será perfeito).
Evangélico: se acusam um do seu grupo fazer alguma coisa ilícita (como adultério, roubo, etc), tal fato é na verdade uma mentira dos "inimigos de Deus".
Marxista: se acusam um do seu grupo de fazer alguma coisa ilícita (como trafico de drogas, corrupção, etc), tal fato na verdade é manipulação ideológica da classe dominante.
Evangélico: o “mundo” esta dominado pelo demônio e os únicos que não estão a mercê dele são “os dos nossos”.
Marxista: o mundo esta dominado pela burguesia e os únicos que não estão a mercê dela são “os dos nossos”.
Evangélico: eles nunca chegam a acordo nenhum entre eles - por isso existem dezenas de denominações evangélicas.
Marxista: eles nunca chegam a acordo nenhum entre eles – por isso que nunca conseguem fazer porra nenhuma.
Evangélico: o homem é naturalmente bom (o capeta o corrompeu).
Marxista: o homem é naturalmente bom (o capitalismo o corrompeu).
Evangélico: A vontade de Deus é a única responsável pelo que ocorre ou deixa de ocorrer no mundo.
Marxista: O movimento da “luta de classes” ( apenas ele) é responsável por todas as transformações na historia e sociedade humana.
Evangélico: O único culpado de tudo de ruim que acontece é o capeta.
Marxista: Os únicos culpados de tudo de ruim que acontece é a “classe dominante”.
Mas espere, não é só isso!!! semelhanças rápidas entre ambos:
- Ambos gostam de condenar e tentar calar filmes, livros e pessoas discordantes.
- Acusam seus inimigos de uso de violência, mas apreciam o uso dela quando é a favor deles
- simpatizam com regimes autoritários.


