domingo, 9 de dezembro de 2007

Papel para desenhar HQ's




POST EDITADO: Humildes cidadãos, long long time ago, eu fiz uma versão tosca (mas funcional) do papel usado para usar hq's. Em outra situação, tentando refazer o arquivo com mais qualidade, noto que outras boas almas já se empenharam na tarefa e colocaram na net um papel mais melhor que o meu... assim sendo, por obra do destino, disponibilizo aqui material que não é meu (achei aqui: Artes Visuais). O manolo que fez o pdf é tão foda que colocou papel para todas as opções: comics, magazine, manga etc.



^^

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Virginia Tech – Uma análise sociológica-nerdica do porque tais massacres serem tão comuns nos EUA



Poucos eventos costumam despertar tanta atenção da mídia como os famosos “massacres” que ocorrem de tempos em tempos em escolas e universidades americanas. Destes, o mais gritante parece ser o ocorrido em Virginia Tech - devido ao numero de vitimas e também ao destaque que recebeu.
Mas porque esses massacres ocorrem? Porque são um fenômeno majoritariamente Americano? e Por que ainda é tão fácil se obter armas na terra do Tio Sam? São essas perguntas que tentaremos responder agora!


O American Way of Life

Podemos entender muito sobre a cultura de alguns paises apenas observando a maneira que seu próprio povo se retrata através das mídias. A cultura americana é uma das mais fáceis de se estudar nesse sentido; devido a grande profusão e destaque que seus produtos culturais alcançam. Desses aspectos culturais tipicamente americanos, um dos mais visíveis na mídia é a “cultura do loser”. Para quem não sabe o que é isso, vou dar uma resumida básica:

A ofensa mais grave que se pode fazer a um americano é chama-lo de "perdedor" (loser). Mas quem seria esse perdedor? Bem, geralmente o perdedor é “escolhido” desde os tempos do colégio, onde por não se enquadrar em algum padrão (geralmente popularidade e condição financeira), o “perdedor” sofre a opressão e colegas de classe e até mesmo de educadores (que fazem vista grossa ao fato). Exemplos de “perdedores”? Apesar de serem tantos os que poderiam ser listados aqui, creio que nenhum obra artística representou tão bem o “ciclo do perdedor” do que o relativamente recente desenho animado Danny Phantom. Para quem já assistiu o desenho é fácil perceber todo um núcleo de perdedores: Danny (o fracote de pais esquisitos), Tuker (o nerd) e Sam (a gothica). Esses “perdedores” por sua vez são vitimas constantes dos chamados “vencedores”: Os jogadores de “futebol americano” e as “patricinhas gostosonas”. É um ecossistema claramente dividido entre “incluídos” e “excluídos”, entre “populares” e “impopulares”, entre “vencedores” e “perdedores”. E esse é o resumo quase perfeito de um dos aspectos mais terríveis do american way of life.

Mas você deve estar se perguntando: de onde vem isso? Porque uma sociedade inteira se organiza dessa forma? Calma jovem Padawan... você logo saberá a resposta!! Mas para isso é preciso voltar no tempo... lá para o inicio da colonização americana...

A ética protestante e o espírito do Bullynismo

Era uma vez um cara chamado Weber, Max Weber... um dia, querendo sacanear o materialismo histórico de Marx, esse cara escreve um livro intitulado “a ética protestante e o espírito do capitalismo”. Nesse livro Weber analisa a influencia da ética protestante no desenvolvimento econômico superior dos paises formados em sua maioria por seguidores dessa religião. Mas o que teria a ver os “crentes” com o “capetalismo”? muita coisa!
A chave para entender essa relação é a teoria da “predestinação absoluta” de João Calvino (um dos principais nomes da “reforma protestante”). Se Lutero isentou a “burguesia” de ir para o inferno (colocando como item principal do bom cristão a fé - e não as obras), Calvino melhorou ainda mais o lado dos “prayboy”: associou prosperidade material com sinal divino!!
A teoria da predestinação absoluta é mais ou menos assim: você nasce e deus olha para a sua cara... já com essa olhadinha rápida (ele tem muita gente para olhar, então ao reclama não!!:-P), ele já determina se você vai para o céu ou para o inferno. Sim, você já nasceria “predestinado” a um dos dois lados... Mas como deus não é tão mal assim, ele não deixaria você “as cegas” sem saber se era um “escolhido” ou não... ele te mandaria uma pista... qual pista? Se você conseguisse obter êxito material (encher o rabo de bufunfa, grana, ca$$him...), desde que fosse por meio do trabalho (não vale roubar nem “pecar”), era um sinal de que deus escolheu você pra ficar do “ladinho” dele no céu...
Assim sendo, ao contrario do católico (para quem o lucro é algo ruim), o evangélico calvinista se esforça extremamente para ficar o mais rico possível (e assim ser visto como “escolhido” pelos seus vizinhos).

Como você já deve ter aprendido na aula de historia (se não aprendeu, preste mais atenção, porra!!), as pessoas que fundam os Estados Unidos são ingleses ultra-puritanos (e de origem calvinista) que partem em busca de criar um país próprio onde pudessem exercer todo o seu puritanismo exacerbado. Sim, as pessoas que fundam os E.U.A. são exatamente os crentes bitolados que eu descrevi acima :-P.
Essa é a chave para entender muitos aspectos característicos da cultura americana, desde o “self made man”, a ânsia por êxito econômico e - pasmem - a cultura do loser!!

Se você não fez ainda uma relação entre a ética protestante e a cultura do loser eu vou facilitar as coisas pra você... Imagine que você estuda em uma escola americana. Lá logo cedo se formam as panelinhas dos “vencedores”, e começam a se definir quem vão ser os sacos de pancadas deles – os “perdedores”. É possível argumentar que tal comportamento acontece em quase todas as sociedades (o que não deixa de ser verdade), mas você rapidamente percebera como ele é especialmente forte na sociedade norte-americana. Os “perdedores” de outros paises costumam se adaptar a outros meios sociais, nunca ficando necessariamente isolados. Os “perdedores” americanos não.
Exemplo? Vá para qualquer escola do Brasil. Lá você observará que existem conflitos constantes entre a “molecada”, mas dificilmente achará uma criança que pareça não se encaixar em “lugar nenhum”. As brincadeiras de mal gosto existem, mas raramente estas são dirigidas no estilo “todos contra um” (o aluno “oprimido” geralmente tem outros grupos onde ele se encaixa, e interage com outros colegas); outras vezes, você notará que existe amizade entre agressor e agredido, e que muitas vezes o papel se inverte (?).
Agora voltando ao exemplo americano... nos EUA não existe nada disso!! Quando é excluído do meio social, o “perdedor” é excluído de maneira quase absoluta! Os “vencedores” dificilmente lhes dirigem a palavra (a não ser por motivos de escárnio), seus outros colegas se omitem de tentar interagir com eles (evitando tambem serem vitimas de tais agressões) e até mesmo professores aderem a esse tipo de comportamento. A marca do loser americano é a completa solidão...

Aprofundando as evidencias

Para compreender melhor o fato, vamos nos aprofundar a relação entre a cultura do loser e as características comuns a maioria desses massacres. Uma pergunta que fica na cabeça é porque esses massacres costumam envolver tanta gente que aparentemente “nada tinha a ver com o rolo”. O fato é, como eu disse acima, que o loser geralmente é excluído de todo o meio social, e logo, todos passam a ser seus “inimigos”. Não significa necessariamente que todos os que são vitimas desse massacre eram praticantes de agressões, mas é certo que a imensa maioria se omitia de posicionar-se contra (e isso também tem um peso enorme).
Agora é preciso entender o porque dessa omissão e conivência ser tão comum por lá. O primeiro fator se refere obviamente a “ética protestante” onipresente no comportamento dos americanos (mesmo entre os que são ateus ou seguem outra religião). Outro se refere ao fato de que é muito difícil se opor a hábitos previamente estabelecidos. É apenas questão de se imaginar a coisa toda como um “ciclo”. A maioria das pessoas se omitem não por concordarem com tais praticas, mas por medo de também serem vitimas das mesmas. Ao mesmo tempo, se tornar um “agressor” (ou fazer parte do seu grupo de amigos) é um caminho extremamente rápido para ser visto como um “vencedor”. Assim sendo, como o fato de você não rir da piada idiota que um desses valentões fez com um “perdedor” provavelmente o colocará na lista de futuros “perdedores” a serem zoados, você obviamente irá “entrar na onda” e achar aquilo totalmente “normal e bonito”! Também devemos levar em conta que o ser humano é um animal com extrema necessidade de “integração”, por vezes praticando as coisas mais imbecis ou hediondas para poder se enquadrar em algum meio.
O fato é que a grande maioria dos 33 baleados pelo atirador de Virginia Tech eram tão vitimas quanto ele...

Por que o acesso as armas é tão fácil nos Estados Unidos?

Outro ponto que chama atenção quando esses eventos ocorrem é a facilidade com o qual se obtém armas de fogo nos Estados Unidos. A raiz de tal fato também se encontra numa mistura de história e contexto político-social...
Voltando as aulas de história, vocês devem saber que os Americanos realizaram uma guerra contra a Inglaterra para conquistar sua independência. Nesse período, uma das influencias mais fortes das lideranças envolvidas era os assim chamados “Iluministas”. Destes, é especialmente forte a “presença” de Locke (não, não é o do Lost :P) na elaboração da constituição americana.
Para quem não sabe, o direito ao porte de armas é garantido na própria constituição desse país!! Por que isso? Creio que também tenha muito a ver com Locke...
Locke era um jus naturalista (defendia direitos naturais, que já nasciam com as pessoas); para ele, esses direitos seriam simultaneamente a vida, a liberdade e a propriedade privada. Sendo assim, o Estado existiria com a finalidade única de garantir e suprir esses direitos... mas e se o Estado não o fizesse? Ou se o Estado fosse agressor?

“Segundo Locke, quando o executivo ou o legislativo violam a lei estabelecida e atentam contra a propriedade, o governo deixa de cumprir o fim a que fora destinado, tornando-se ilegal e degenerando em tirania (o exercício do poder para além do direito, visando o interesse próprio e não o bem público ou comum);
A violação deliberada e sistemática da propriedade (vida, liberdade e bens) e o uso contínuo da força sem amparo legal colocam o governo em estado de guerra contra a sociedade e os governantes em rebelião contra os governados, conferindo ao povo o legítimo direito de resistência à opressão e à tirania.
”
(Clique aqui para a fonte - é um ótimo resumo)

Siiiimmmmmm.... isso mesmo que você leu: se o estado deixa de cumprir o que lhe foi incumbido, o cidadão (ou cidadãos) tem o direito ou de derrubar esse governo - ou de garantir eles próprios esses direitos. É o famoso “direito de resistência” Lockeano!!
Tal premissa - aliada ao fato de que os americanos tiveram que conquistar sua liberdade política à força - explica porque é tão caro aos americanos o direito de se conseguir um trabuco tão facilmente (mesmo que isso implique em algumas crianças e jovens mortos com certa frequencia...).

A culpa é do filme??

Sempre que tais eventos acontecem sempre pinta entre as especulações uma possível “má influencia da mídia” (o mais engraçado é que a própria TV que costuma ser uma das maiores propagandistas dessas versões :P). Nesse caso não foi diferente.
Uma das fotos enviadas pelo atirador Cho Seung-hui o mostrava portando um martelo em pose que fazia possível alusão ao filme “OldBoy”. Obviamente tal foto deu origem a muito “bafafá” sobre os possíveis efeitos negativos que filmes e games podem fazer com as pessoas (fundamentalistas evangélicos especularam até possível intervenção do tinhoso). O assunto mídia ainda será tratado inúmera vezes nesse blog, de maneira mais profunda e contundente, então, vou apenas apontar algumas peças chaves do porquê tal premissa é equivocada: 1- como os outros milhões que assistiram o filme não mataram ninguém?; 2 – A sociedade adora apontar esse tipo de “desculpa” sobre a influencia da mídia, pois geralmente isso a poupa de tentar enxergar o próprio umbigo (e de tomar qualquer providencia concreta).

Conclusão

Para mim a relação entre os massacres constantes ocorridos em ambientes de ensino (e a cultura do loser) está tão correlacionada a “ética protestante” que fico até surpreso que nenhum outro sociólogo antes de mim se deu ao trabalho de relacionar ambos (ou eu pesquisei pouco e banquei o idiota digitando 4 paginas sobre o assunto O_o).
O fato é que sempre que tais eventos ocorrem, raras vezes ouço falar que os atiradores que praticam tal barbárie eram vitimas de outros colegas (geralmente a mídia se apressa a taxa-los como psicopatas). Não estou aqui defendendo a postura tomada por tais jovens, e nem afirmando que os mesmos não sofriam de possíveis distúrbios mentais. Mas transforma-los em simples “vilões de desenho animado” (cuja maldade geralmente é inata, e não existe nada que a justifique) é de uma grosseria intelectual absurda.
O material entregue pelo protagonista do ataque a uma rede de televisão americana denuncia muito mais do que um jovem perturbado: denuncia desejo de vingança (não contra indivíduos, mas contra uma sociedade) e denuncia também uma espécie de “discurso messiânico” (onde o mesmo se torna um “mártir” da causa dos losers).
Tais massacres deveriam servir de alerta para uma mudança gradual e efetiva no bullying rotineiro praticado em escolas, e também numa regulamentação mais restritiva à venda e posse de armas. Encerrar o assunto com “Virginia Tech tinha comportamento violento e era solitário” é empurrar a sujeira da sociedade para debaixo do tapete – e se esquecer que, cedo ou tarde, a sujeira pode voltar a sujar a sala...



PS1: A homenagem as vitimas do massacre de Virginia Tech foi feita em um estádio de futebol americano. No final eles cantaram o "grito de guerra" da Universidade (e do time de Futebol) num gesto de “união”. Acho que esses massagres não acabarão tão cedo...

PS2: seis meses depois do massacre de Virginia, novo massacre aconteceu em escola americana...

PS3: dentre as inúmeras soluções discutidas para evitar novas incidências de massacres similares, nenhuma inclui uma fiscalização mais rígida do comportamento dos alunos visando diminuir a incidência de Bullying no ambiente escolar (será que as pessoas são mesma assim tão burras??)

PS4: Aos colegas mais versados em Webber ou Locke, desculpem algum eventual erro. Aceito sujestões para aprimorar o artigo.

PS5: outro pequeno artigo interessante (clique aqui).

PS6: esse post só está 7 meses atrasado :P

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

O Segredo – O Dossiê do cético nerd




Nota Posterior: Widson Porto Reis, um dos responsáveis pelo excelente site cético “Projeto Ockham”, publicou em seu Blog “O Dragão da Garagem” um minucioso guia cético sobre o segredo (apontando todos os equívocos e falsas verdades do pseudo-documentario). O artigo está dividido em 3 partes, e está magnífico. Vale muito a pena conferir!!Parabéns ao Widson, que teve estomago para encarar essa merda de “O Segredo” e compartilhar com os outros mortais (meu intento inicial era realizar um trabalho como o dele, mas não aguentei assistir nem 5 minutos de “O segredo” :P)!!


O segredo foi descoberto, o segredo foi escondido, o segredo foi revelado... e agora... O SEGREDO SERÁ ESCULHAMBADO!!


O Segredo é a mais recente praga da auto-ajuda a infestar o mundo. Basicamente, o que a obra promete é qualquer merda que você queira, bastando pensar nela por tempo suficiente e da maneira correta. Usando ciência (deturpada pra caber no contexto), pseudociência e um monte de baboseiras New Age, O Segredo (tanto o “filme” quanto o “livro”) se tornaram Best-sellers.
As grandes mídias foram (ao meu ver) bastante complacentes em sua postura perante esse livro, e eu senti falta (mesmo) de alguma revista torturando sem piedade tal obra. Como ninguem aparentemente fez "o serviço", acabei eu mesmo dando minha contrinuição...
Esse "Dossiê" contem na verdade bem pouco material escrito por mim, me restando o trabalho de apenas anexar algumas coisas e organizar o material. Boa leitura!

1- Uma crítica realmente boa de O Segredo

A única crítica realmente decente que lembro de ter lido sobre essa “obra” foi postada por um “Xará” que também é nerd. Leiam a critica dele antes de seguir adiante (ela é essencial no dossiê). Neste outro blog também tem um resumo supimpa (bom para entender as teses centrais do livro).

2 - Porque as pessoas consomem auto-ajuda?

O segredo não seria um sucesso se as pessoas já não tivessem “predisposição” para acreditarem no tipo de conteúdo que a obra veicula. Anexarei aqui trechos de dois livros falando do assunto (Livros estes que realmente merecem ser comprados e lidos). O primeiro trecho é do livro “O mundo assombrado pelos demônios”, do astrônomo e divulgador da ciência Carl Sagan (já falecido). Nesta parte em especifico, ele conta como um mágico amador e o caça-fraudes James Randi fizeram de besta a Austrália* com esse papo de auto-ajuda. Confira:

Numa terra distante nos mares do Sul, começou a circular a noticia de um sábio, um homem que curava doenças, um espírito encarnado. Ele podia falar através do tempo. Era um mestre ascenso. Ele estava vindo, diziam. Ele estava vindo...


CARLOS
EM BREVE
NA AUSTRÁLIA

Aqueles que o viram jamais esquecerão. O jovem e brilhante artista que lhes falava de repente parece vacilar, o seu pulso diminui de forma perigosa e virtualmente se detém no ponto da morte. O assessor médico qualificado, que tem a tarefa de exercer uma vigilância constante, está prestes a soar o alarme.

Mas nesse momento, com uma explosão de fazer bater o coração, sente-se o pulso de novo - mais rápido e mais forte do que nunca. A força vital claramente voltou ao corpo - mas a entidade dentro do corpo já não é Jose Luis Alvarez, o jovem de dezenove anos cuja original cerâmica decorativa é destaque em algumas das casas mais ricas da América do Norte. Em seu lugar, o corpo foi assumido por Carlos, uma alma antiga, cujos ensinamentos constituem tanto um choque como uma inspiração. Um ser passa por uma espécie de morte para dar lugar a outro; esse é o fenômeno que tornou Carlos, canalizado por meio de Jose Luis Alvarez, a nova figura dominante na consciência da Nova Era. Como disse até um crítico cético de Nova York: “O primeiro e único caso de um canalizador que apresenta provas físicas tangíveis de alguma mudança misteriosa em sua fisiologia humana”.

Agora Jose, que já passou por mais de 170 dessas pequenas mortes e transformações, recebeu ordens de Carlos para visitar a Austrália – nas palavras do Mestre, “a antiga terra nova” que deve ser a fonte de uma revelação especial. Carlos já previu que, em 1988, muitas catástrofes vão assolar a Terra, dois importantes lideres mundiais morrerão e, mais para o fim do ano, os australianos estarão entre os primeiros a ver o nascimento de uma grande estrela que terá profunda influencia sobre a vida futura na Terra.

DOMINGO 21
15:00
ÓPERA
TEATRO DRAMÁTICO

Num acidente de motocicleta em 1986, explicava o kit da imprensa, Jose Alvarez - então com dezessete anos - sofreu uma concussão leve. Depois de sua recuperação, aqueles que o conheciam podiam ver que ele tinha mudado. As vezes emanava dele uma voz muito diferente. Desnorteado,Alvarez procurou a ajuda de um psicoterapeuta, um especialista em desordens de múltipla personalidade. O psiquiatra “descobriu que Jose estava canalizando uma entidade distinta que era conhecida como Carlos.Essa entidade assume o corpo de Alvarez quando a força vital do corpo é relaxada até o grau apropriado. Carlos, veio a se saber, é um espírito desencarnado de 2 mil anos, um fantasma sem forma corpórea, que invadiu pela última vez um corpo humano em Caracas, Venezuela, em 1900.Infelizmente, esse corpo morreu com a idade de doze anos devido a uma queda de cavalo. Essa pode ser a razão, explicou o terapeuta, de Carlos ter sido capaz de entrar no corpo de Alvarez depois do acidente de motocicleta.Quando Alvarez entra em transe, o espírito de Carlos, focalizado por um grande e raro cristal, assume o corpo e profere a sabedoria das eras.

Junto com o kit de imprensa, vinham uma lista das principais apresentações em cidades norte-americanas, um videoteipe da tumultuada recepção dada a Alvarez/Carlos num teatro da Broadway, a sua entrevista na estação de rádio WOOP de Nova York, e outras indicações de que ali estava um formidável fenômeno norte-americano da Nova Era. Dois pequenos detalhes comprovadores. Um artigo de um jornal do sul da Flórida afirmava:
“NOTA DO TEATRO: A temporada de três dias do canalizador Carlos foi prorrogada no Auditório do Memorial da Guerra [...] em resposta aos pedidos de novas apresentações”. E um trecho extraído de um guia de programas de televisão listava um especial sobre “A ENTIDADE CARLOS: Esse estudo em profundidade revela os fatos por trás de uma das
personalidades mais populares e controversas da atualidade”.
Alvarez e seu empresário chegaram a Sydney na primeira classe da Qantas. Viajaram por toda parte numa enorme limusine branca. Ocuparam a suíte presidencial num dos hotéis mais prestigiados da cidade. Alvarez trajava uma elegante bata branca com um medalhão dourado. Na primeira entrevista concedida à imprensa, Carlos imediatamente apareceu. A entidadeera vigorosa, instruída, dominadora. Os programas de televisão australianos logo se candidataram a apresentações de Alvarez, com seu empresário e seu enfermeiro (para checar o pulso e anunciar a presença de Carlos).No Today Show da Austrália, eles foram entrevistados pelo apresentador George Negus. Quando Negus fez algumas perguntas céticas e racionais, os adeptos da Nova Era mostraram-se muito sensíveis. Carlos lançou uma maldição contra o apresentador. O empresário encharcou Negus com um copo de água. Ambos se retiraram altivamente do local da entrevista.
Foi um escândalo na imprensa sensacionalista, e repercutiu sob várias formas na televisão australiana. “Explosão na TV: água contra Negus”, era a manchete da primeira página do Daily Mirror em 16 de fevereiro de 1988. As estações de televisão foram inundadas de telefonemas. Um cidadão de Sydney avisou que a maldição contra Negus deveria ser levada a sério: o exercito de Satã já assumira o controle das Nações Unidas, dizia ele, e a
Austrália poderia ser a próxima vítima.
A aparição seguinte de Carlos se deu na versão australiana de A current affair. Também compareceu ao programa um cético que descreveu um truque mágico capaz de causar uma breve parada do pulso numa das mãos: é só colocar uma bola de borracha sob a axila e aperta-la. Quando a autenticidade de Carlos foi questionada, ele ficou ofendido: “Esta entrevista está terminada!”, berrou.
No dia marcado, o Teatro Dramático da Ópera de Sydney estava quase lotado. Uma multidão excitada, de jovens e velhos, movia-se expectante. A entrada era franca - o que tranqüilizava aqueles que se perguntavam vagamente se o espetáculo não poderia ser uma fraude.
Alvarez sentou-se num sofá baixo. Seu pulso foi monitorado. De repente,parou. Aparentemente, ele estava perto da morte. Ruídos baixos e guturais emergiam de suas profundezas. A platéia estava boquiaberta de admiração e terror. De repente, o corpo de Alvarez adquiriu força. Sua postura irradiava confiança. Uma perspectiva ampla, humanitária e espiritual fluiu da boca de Alvarez. Carlos estava presente! Entrevistados mais tarde, muitos membros da platéia confessaram ter ficado comovidos e encantados.
No domingo seguinte, o programa mais popular da TV australiana - chamado Sixty minutes em alusão a seu equivalente norte-americano -revelava que o caso Carlos era uma brincadeira, do começo ao fim. Os produtores acharam que seria instrutivo verificar com que facilidade se poderia criar um guru ou um curandeiro da fé para enganar o público e a mídia. Assim, naturalmente, eles entraram em contato com um dos principais especialistas em enganar o público (pelo menos, entre os que não detém cargos políticos, nem os assessoram) - o mágico James Randi. (...)
Sagan, C. "O Mundo Assombrado
Pelos Demônios". (páginas 195 a 198)

Apesar de não estar na integra, o trecho destacado mostra bem como as pessoas são facilmente enganadas. O ideal é ler o capitulo inteiro que conta esse “causo” (melhor ainda: ler o livro inteiro).O referido livro pode ser Baixado neste link. A “edição de bolso” dele está com um ótimo preço (na faixa dos 20 merréis); excelente investimento por um precinho camarada.
O segundo trecho é do ótimo livro “O mundo de Sofia”, que dá um resumão legal de toda a história da filosofia. No trecho abaixo o professor de filosofia de Sofia opina sobre o fenômeno dos livros de auto-ajuda (não estranhem o português: a versão que lerão é a lusitana :P).

Atravessaram o parque em frente à igreja e chegaram à rua principal. Alberto estava ligeiramente nervoso e, naquele momento, apontou para uma livraria. Chamava-se Libris e era a maior da cidade.
- Queres mostrar-me alguma coisa aqui?
- Vamos entrar.
Na livraria, Alberto apontou para a estante maior. Tinha três secções: NEW AGE, ESTILOS DE VIDA ALTERNATIVOS E MISTICISMO.
Nas estantes, havia livros com títulos muito empolgantes: “Haverá Vida para Além da Morte?, Os Segredos do Espírito, Tarot, O Fenômeno OVNI, Healing, O Regresso dos Deuses, A Reencarnação, O Que é a Astrologia?”, e muitos outros. Havia mais de cem títulos diferentes. Sobre um banco via-se uma pilha de livros semelhantes.
-Isto também é o século XX, Sofia. Este é o templo do nosso tempo.
- Não acreditas nestas coisas?
- Muito disto é absurdo, mas vende tão bem como pornografia. De fato, muito do conteúdo destes livros pode ser definido como uma espécie de pornografia. Aqui, os jovens podem comprar exatamente aquilo que mais lhes interessa. Todavia, a relação entre a verdadeira filosofia e estes livros é comparável à relação que existe entre o amor verdadeiro e a pornografia.
- Não estarás a exagerar?
- Vamos sentar-nos no parque.
Saíram da livraria e encontraram um banco livre em frente à igreja. Debaixo das árvores, alguns pombos pavoneavam-se e havia um ou outro pardal agitado.
- É a parapsicologia ou PES - explicou Alberto. - Ou "telepatia", "clarividência", "psicocinética", ou "espiritismo", "astrologia" e "ovnilogia".
- Mas diz-me: achas que isso é tudo uma fraude?
- Não seria digno de um filósofo tratar tudo da mesma maneira. Mas não quero excluir a hipótese de que os termos que referi possam formar um mapa bastante detalhado de uma paisagem que não existe. E há muito daquilo a que Hume chamava "ilusão e engano" e queria lançar às chamas. Em muitos destes livros não se encontra uma única experiência autêntica.
-Mas então porque são escritos tantos livros deste gênero?
- É um dos negócios mais lucrativos do mundo e é isto que muitas pessoas gostam
de ler.
- E porque é que achas que gostam de ler estas coisas?
- Porque sentem um desejo de algo "místico", de algo "diferente" que quebre a monotonia do quotidiano. É andar à procura de uma coisa que está à frente do nariz.
- O que queres dizer?
- Fazemos parte de uma aventura maravilhosa. Em frente a nós há uma obra, a criação. À luz do dia, Sofia! Não é inacreditável?
- Sim.
- Porque havíamos de ir à procura da cigana que lê a sina ou de saguões acadêmicos para experimentar algo de "empolgante" ou "transcendente"?
- Achas que aqueles que escrevem estes livros contam apenas mentiras?
- Não, não foi isso que eu disse. Vou-te explicar de um modo darwinista.
- Estou a ouvir!
-Pensa em tudo o que se passa no decorrer de um único dia. Limita-te a um dia da tua vida. Pensa em tudo o que vês e experimentas.
- Sim?
- Por vezes, há coincidências estranhas. Entras numa loja, por exemplo, e gastas vinte e oito coroas. Mais tarde encontras Jorunn que te restitui as vinte e oito coroas que lhe tinhas emprestado, finalmente vão ao cinema e dão-te o lugar número vinte e oito.
- Sim, seria uma estranha coincidência.
- Mas seria uma coincidência. A questão é que algumas pessoas “recolhem” coincidências deste tipo. Reúnem-se experiências misteriosas ou inexplicáveis e quando elas, fruto da vida de alguns milhares de pessoas, são reunidas num livro, podem dar a impressão de ser um imponente material de prova. E o material aumenta constantemente.
Mas neste caso, também estamos perante uma loteria onde apenas os bilhetes vencedores são visíveis.
- Não há pessoas videntes ou "médiuns" que têm experiências destas constantemente?
- Sim, há. E se excluirmos os vigaristas, encontramos também uma outra explicação para essas experiências místicas".
-Diz!
- Recordas que falamos de Freud e da sua teoria do inconsciente?
- Quantas vezes tenho de te dizer que a minha memória é boa?
- Já Freud mostrara que muitas vezes nos podemos comportar como se fôssemos médiuns do nosso inconsciente.
Podemos fazer ou dizer coisas de repente sem conseguirmos compreender o porquê. O motivo disso é o fato de nós termos mais experiências, pensamentos e recordações do que aqueles de que temos consciência.
- E então?
- Por vezes, as pessoas falam ou andam enquanto dormem. Chamamos a este gênero de fenômenos "automatismo psíquico". Mesmo sob hipnose, os homens podem dizer ou fazer coisas que sucedem "por si".
E lembras-te dos surrealistas, que tentavam escrever "automaticamente". Tentavam tornar-se assim médiuns da sua própria consciência.
- Ainda me lembro disso.
-Com intervalos regulares, neste século, surgem notícias de homens, de médiuns, que conseguem entrar em contato com defuntos. Falando com a voz do morto, ou servindo-se da escrita automática, o médium receberia uma mensagem de um ser humano que tinha vivido há muitos séculos. Estes fatos são usados como prova de que existe uma vida além da morte ou de que um homem vive muitas vidas.
- Compreendo.
- Não estou a dizer que todos estes médiuns sejam vigaristas: alguns agiram de boa fé. De fato, foram médiuns, mas do seu inconsciente.
Houve bastantes médiuns que em estado de transe mostraram capacidades e conhecimentos que nem eles próprios nem os outros sabiam explicar. Por exemplo, uma mulher que não sabia hebraico, começou a falar nessa língua. Das duas uma: ou tinha vivido uma vida anterior ou estava em contato com o espírito de um morto.
- O que te parece?
- Soube-se depois que a mulher tinha tido uma “baby-sitter” judia quando era pequena...
- Ah...
- Ficaste desiludida? De qualquer modo, é fantástico ver até onde vai a capacidade de algumas pessoas de acumularem no inconsciente experiências anteriores.
- Compreendo o que queres dizer.
-Muitas coisas estranhas quotidianas também podem ser explicadas à luz da teoria do inconsciente. Se recebo uma chamada de um amigo que não vejo há muitos anos, justamente quando estava à procura do seu número de telefone...
- Sinto um arrepio...
-A explicação pode ser, por exemplo, que ambos ouvimos uma velha canção na rádio, uma canção que ouvimos juntos na última vez que nos vimos. O ponto fundamental é o fato de esta relação oculta não ser consciente...
- Então, ou é trapaça ... ou o truque do bilhete vencedor na loteria... ou o inconsciente?
- De qualquer modo, é melhor aproximarmo-nos com ceticismo destas estantes, principalmente para um filósofo. Em Inglaterra existe uma associação dos cépticos. Há muitos anos, esta associação ofereceu uma grande soma de dinheiro à primeira pessoa que conseguisse um único exemplo verificável de uma coisa sobrenatural. Não era necessário ser um milagre, bastava um pequeno exemplo de transmissão de pensamento. Até agora, ninguém se apresentou.
- Compreendo.
- Uma coisa completamente diferente é admitirmos que há muitas coisas que não compreendemos. Talvez não conheçamos ainda todas as leis da natureza. No século passado, muita gente considerava o magnetismo e a eletricidade como uma espécie de magia. Aposto que a minha bisavó abriria os olhos de espanto se eu lhe falasse da televisão ou dos computadores.
- Então não acreditas em nada de sobrenatural?
- Já falamos disso. A própria expressão "sobrenatural" é um pouco bizarra. Não, acho que existe uma única natureza, que em compensação é espantosa.
- E todos aqueles fenômenos de que falam os livros que me mostraste?
- Todos os verdadeiros filósofos devem manter os olhos abertos. Mesmo que não tenhamos visto nenhum corvo branco, não devemos deixar de o procurar. E um dia, mesmo um céptico como eu será obrigado a aceitar um fenômeno em que não acreditara anteriormente. Se não mantivesse aberta esta possibilidade, seria um dogmático, e não um verdadeiro filósofo.
Sofia e Alberto ficaram sentados no banco em silêncio.

Gaarder,J. O Mundo de Sofia.
(paginas 307 a 309)


O referido livro pode ser baixado nesse link. Ele também pode ser facilmente encontrado em qualquer livraria, embora seu preço continue um tanto salgado (mas vale cada centavo).
3 - Mas afinal, pensamento positivo funciona mesmo?

Depende. É obvio que uma postura “positiva” e autoconfiante em relação a vida te ajudará a viver melhor. Mas isso é um fenômeno psicológico facilmente explicável, e não tem nada de metafísico: Se você adquirir tal postura perante a vida obviamente vai passar a enxergar melhor as “coisas boas”, bem como superar melhor as “ruins”. Nada de excepcional nisso.
Agora, daí pra esperar que as coisas surjam milagrosamente no seu colo por conta disso é uma diferença enorme...
Na verdade, a reportagem sobre o tema na Super Interessante deixou isso bastante claro. A única coisa que eu achei que faltou foi uma postura mais “agressiva” quanto as baboseiras do livro, um ataque mais direto (sutíleza é o caralho. quero é porraaaaadddaaaaaa!!!).

4 - E por ultimo: se a técnica do segredo funcionasse mesmo...

... eu acharia dinheiro toda vez que eu saio na rua.
... eu teria traçado todas as minas gatinhas na minha adolescência.
... eu teria adquirido super-poderes na adolescência.
... meus animais de estimação não morreriam nunca.
... pedófilos, ditadores e outros bostas morreriam de modo fulminante.
... meu blog seria o mais acessado do mundo :P.

Ahhh... e só pra constar: nunca acho grana na rua, não comia ninguém na aborrecencia (nerds... :P), nunca ganhei poderes, enterrei vários gatos e cachorros, Sadam não morreu por minha causa, e quase ninguém visita esse blog... :P

PS1: Aproveitem o link da Super Interessante – todo o conteúdo já publicado está disponível e free lá.

PS2: provavelmente esse blog só terá um novo post segunda ou terça-feira. Não estranhem :P (alias, vocês deviam era estranhar posts freqüentes...)

* A Austrália também é o país da autora de O Segredo (Rhonda Byrne). Um dos gurus fajutos de “Lost” também era de lá... to achando que há um padrão ai ;-)


terça-feira, 23 de outubro de 2007

As 5 melhores coisas toscas da TV

Eu não sou muito “chegado” na mídia televisiva (quer dizer, na mídia televisiva “de pobre”. Se eu tivesse TV a cabo ia me esbaldar de Discovery, History Channel, National Geographic, HBO etc). Isso não quer dizer que só exista porcaria na TV aberta (TV escola, Cultura e outras tem excelente programações), mas é obvio que elas compõem a maioria da programação dos canais.
Mas com o tempo, uma coisa bizarra aconteceu: criei o habito de apreciar as coisas “toscas” que porventura acabo vendo. Cansado de ficar puto com a qualidade ruim da programação, meu cérebro resolveu que era melhor se divertir com ela (ou desenvolver uma ulcera :P). Compartilho agora com vocês as... 5 Melhores coisas toscas da TV!!!

1 - Propaganda do Dollynho



parece propaganda subliminar do Capeta. Mas não é: nem o Tinhoso desceria tão baixo :P

2 – TV diário





O canal Cearense tem uma programação de amargar. Desde pérolas do Forró até mesmo o tradicional “barraco de pobre”.

3 - Siri Cascuda



Íris Steffaneli apresentando... bem, qualquer coisa :P

4- Silas Malafaia



Vai dizer que não é engraçado um Pastor homofóbico que dá tanto gritinhos pra se expressar? Sei não heim... tá me lembrando “Beleza americana”...

5 – Canção Nova



Canais religiosos só são um porre pra quem não tem senso de humor. Em que outro lugar você veria franciscanos dançando RAP??!!

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

8 coisas REALMENTE imbecis em filmes de terror


Filmes de terror pra “aborrecentes” são um gênero cinematográfico muito peculiar... Embora geralmente sejam uma porcaria, sempre encontram um publico cativo que garante sua continuidade (e lucros absurdos a seus investidores). Salvo raras e honrosas exceções, esse é um gênero que pessoalmente detesto, por isso, resolvi sacaneá-lo (é pra isso que blog’s servem, não? Sacanear o que não gostamos? :P).



1- que situação estranha... mas deve estar tudo bem!

Não importa quão bizarra seja a situação que esteja ocorrendo, ninguém desconfia que está correndo perigo, ou que o fulano esquisito na frente deles é um maníaco homicida... mesmo personagens que em tese deveriam “sacar” o perigo agem como mulas (policiais, agentes do FBI e outros do gênero). “Assim não pode, assim num dá”!! É demais pro meu saco!


2 – Eu acredito na ciência!!

Se existe um erro que o Sociólogo Max Weber cometeu foi a “previsão” que haveria uma secularização da sociedade humana (resumindo porcamente: onde a fé perderia cada vez mais espaço para a ciência). Isso obviamente não ocorreu. Basta não ser cego (ou burro) para perceber que a maioria das pessoas ainda adoram explicações metafísicas, simpatias e outras trozobas do tipo... Pois bem, mas quando essas pessoas são personagens de filmes de terror, elas se portam como legítimos adeptos do ceticismo!! Se na vida real a maioria das pessoas adotam explicações metafísicas para todo o tipo de fatos estanhos (ex: espíritos, encostos, conjugação astral, macumba etc), os personagens de filme de terror são de um ceticismo surpreendente!! Eles só se rendem as explicações sobrenaturais em ultima instancia (geralmente, prestes a serem mortos :P)!! Carl Sagan e James Randi ficariam orgulhosos...

3 – estou sozinho, venha me pegar!

Mesmo o maior dos panacas sabe que a melhor alternativa quando se lida com alguma ameaça externa desconhecida é se agrupar, seja pra poder enfrentar melhor o inimigo, seja para poder vigiar amigos “suspeitos”. Mas é claro que ninguém em filmes de terror faz isso, preferindo andar sozinho em lugares mal iluminados onde encontrarão a morte certa.

4 – eu te enfrento com as mãos limpas!!

Outra atitude sensata a se tomar é adquirir uma arma (já notou que quase ninguém tem uma nesses filmes? – e isso por que quase todo americano tem um trabuco em casa...). se você não pode conseguir uma arma de fogo, convém adquirir qualquer outra coisa que sirva como tal, como um porrete, um pedaço de ferro, ou até mesmo uma caneta (pô, vocês não viram “a identidade Bourne”? :P). mas não, eles também acham melhor sair correndo por ai desarmados e dando gritinhos...

5– suja, sangrando...mas gostosa!!

Alem do fato de que sempre tem uma cena gratuita de nudez e sexo (mesmo que não faça o menor sentido na trama), as mulheres dos filmes conseguem a proeza de estarem sempre gostosonas!!! Mesmo que alguém já tenha esmurrado a fuça delas, esfaqueado-as... mesmo que já tenham corrido uns 10 km do vilão... mesmo que estejam morrendo... ainda assim, seu cabelo estará bonito e ela estará usando decote!!

6– eu te derrubei... agora eu continuo a correr

Alem do fato de que nunca (mas nuunnncaaa meeessssmoooo!!) eles resolvem enfrentar a ameaça ao invés de ficar fugindo dela, quando por algum milagre conseguem desacordar o meliante ou atordoá-lo, eles não tratam de alguns itens básicos: desarmá-lo (e pegar a arma pra si) e certificar-se que está morto (isso pode ser garantido com um corte na artéria jugular, quebrando o pescoço, ou enfiando a caneta –lembram? :P – no olho do infeliz (se forem pessoas “humanistas”, podem pelo menos foder com as pernas dele e com os braços :P).


7 – eu acredito na ressurreição da carne

não importa o que tenha acontecido com a merda do vilão (esfaqueado, baleado, amputado, queimado ou o caralho-á-quatrado...) ele sempre irá voltar – para uma nova seqüência com clichês infindáveis...(no final de “o massacre da serra elétrica” – a refilmagem - o vilão reaparece, com sua bendita serra... só que um braço da anta tinha sido amputado!! Fica a questão: como o animal ligou a serra???).



8- Apetite do Scooby-Doo

Em filmes de terror onde os animais são vilões, os malditos desgraçados (além de serem verdadeiros ninjas) sempre estão com uma fome descomunal. Conforme você deve ter aprendido no National Geografic ou no Discovery Chanel (sim, eu duvido que tu tenha lido livros :P), a maioria dos animais carnívoros de grande porte (Leões, Crocodilos, Anacondas, Tiranossauros, etc) se alimenta APENAS uma vez a cada vários dias!!! Mas é claro que nesses filmes catinguentos a porcaria dos bichos do mal comem mais do que uma mulher deprimida presa na Fantástica Fabrica de Chocolates O_o


PS: não, nunca matei ninguém... pelo menos, não que eu lembre :P

PS2: filmes que são de terror e sacaneiam esses clichês costumam ser bons (como os recentes filmes do “chuck’ e a “trilogia pânico”)


PS3: não tenho nada contra filmes de terror, desde que eles não sejam idiotas ou ao menos saibam rir de si mesmos.

PS4: Meu resumo de Jogos Mortais: “é sobre um babaca que mata as pessoas para ensinar a elas o valor da vida, usando para isso métodos inspirados em episódios de Tom & Jerry”.

PS5: o “erro” de Weber ainda vai ser abordado de forma séria nesse blog...